Desde la acogida de Cáritas I – «Catedrales sin techo»

A veces, la verdad no viste de seda ni huele a incienso; tiene el aroma del asfalto y la mirada de quien ya no espera nada. En un banco de parque, un hombre que habita la intemperie me dio la lección teológica más feroz de mi vida: «No pido limosna. Pido que me miren a los ojos». En ese instante, los manuales de pastoral se hicieron añicos. Porque en esa mirada estaba el Evangelio puro: la urgencia de ser alguien para alguien, la sed de un reconocimiento que ninguna estructura puede fabricar.

Entendí entonces que las periferias no son laboratorios donde vamos a «ayudar», sino catedrales sin techo donde debemos entrar descalzos para aprender. Allí, una mujer rota por la vida me lanzó un desafío que aún me quema: «No me hables de Dios. Enséñame dónde lo ves tú cuando la vida se rompe». Esa pregunta me arrancó los barnices, me dejó la fe en el hueso y me obligó a buscar a un Dios que no huye del dolor ni maquilla la realidad, sino que se ensucia las manos en el barro del caos.

Es hora de que la Iglesia deje de ser una oficina de respuestas para convertirse en una discípula del silencio. El Reino no está esperando en los despachos; está latiendo en los márgenes, en aquellos que no entran pero que entienden, mejor que nosotros, el latido del corazón de Jesús. Quizá nuestra mayor conversión no sea llenar los templos, sino dejar que la vida, en toda su crudeza, nos evangelice de nuevo.

Hoy, el mayor acto de fe ocurre fuera de los muros, donde la verdad llega sin micrófonos ni teologías de diseño, pero con una potencia que te quiebra por dentro. Quienes no vienen nos están gritando qué Iglesia necesitan: una que no dé miedo, que no juzgue desde arriba y que no confunda la fría norma con la cálida misericordia. El Reino siempre germina allí donde no hay focos: en los márgenes, en los que no cuentan, en los que no entran. Tal vez, solo cuando nos atrevamos a habitar esa intemperie con ellos, la Iglesia encontrará, por fin, su verdadero centro.

Carlos Portus Saracho, aspirante al diaconado permanente

>Desde a recepção da Cáritas I – «Catedrais sem teto»

Há pessoas que nunca cruzam o limiar de um templo, mas carregam uma verdade que desarma. Não recitam o credo, não entendem de calendários litúrgicos nem conhecem o santoral. No entanto, quando você se senta ao lado deles, eles revelam um Evangelho que muitas vezes esquecemos enterrado sob montanhas de atas, reuniões e discursos institucionais. São eles que nos devolvem a essência.

Às vezes, a verdade não se veste de seda nem cheira a incenso; tem o aroma do asfalto e o olhar de quem não espera mais nada. Em um banco de parque, um homem que habita o clima me deu a lição teológica mais feroz da minha vida: «Eu não peço esmolas. Peço que me olhem nos olhos». Naquele instante, os manuais de pastoral se despedaçou. Porque naquele olhar estava o Evangelho puro: a urgência de ser alguém para alguém, a sede de um reconhecimento que nenhuma estrutura pode fabricar.

Entendi então que as periferias não são laboratórios onde vamos «ajudar», mas catedrales sem teto onde devemos entrar descalços para aprender. Lá, uma mulher quebrada pela vida me lançou um desafio que ainda me queima: «Não me fale sobre Deus. Mostre-me onde você vê quando a vida se quebra.» Essa pergunta arrancou meus vernizes, deixou minha fé no osso e me forçou a procurar um Deus que não foge da dor nem maquia a realidade, mas suja as mãos na lama do caos.

É hora de a Igreja deixar de ser um escritório de respostas para se tornar uma discípula do silêncio. O Reino não está esperando nos escritórios; está batendo nas margens, naqueles que não entram, mas que entendem, melhor do que nós, o batimento cardíaco de Jesus. Talvez nossa maior conversão não seja encher os templos, mas deixar que a vida, em toda a sua crueza, nos evangelize novamente.

Hoje, o maior ato de fé ocorre fora dos muros, onde a verdade chega sem microfones ou teologias de design, mas com um poder que te quebra por dentro. Aqueles que não vêm estão gritando para nós qual Igreja eles precisam: uma que não dê medo, que não julgue de cima e que não confunda a norma fria com a misericórdia calorosa. O Reino sempre germina onde não há focos: nas margens, naqueles que não contam, naqueles que não entram. Talvez, somente quando nos atrevemos a habitar esse clima com eles, a Igreja encontrará, finalmente, seu verdadeiro centro.

Carlos Portus Saracho, candidato ao diaconado permanente