NA REALIDADE ECLESIAL SERÁ O DIACONADO DESFAVORÁVEL

NA REALIDADE ECLESIAL SERÁ O DIACONADO DESFAVORÁVEL?

Um artigo publicado no Boletim da Diocese do Porto, último, sob o título “O diaconado entre a teoria e práxis”, da autoria de Alphonse Borras, que foi traduzido pelo Senhor Professor Doutor Adélio Abreu, da revista “CredereOggi”, n.230, é uma publicação que deve ser lida e meditada pelo rigor e discernimento acerca do diaconado que queremos. Com desassombro afirma que “os padres afirmam imediatamente, em termos negativos, que os diáconos são ordenados “não para o sacerdócio, mas para o serviço”. O que não deixa de ser verdade, mas deveremos tomar nota do que Alphonse aponta do “negativamente”, o que também os diáconos permanentes, isto é, “não-provisórios” sentem no seu dia a dia. Aliás, comparando este artigo com a decisão da Comissão Episcopal Portuguesa que acaba de editar sobre o diaconado permanente a diferença é abismal. Para que conste o Rev. Alphonse Borras é o vigário-geral da diocese de Liège e da Universidade Católica de Lovaina e não é diácono permanente. Sobre este assunto do diaconado que afirma sempre ter existido, vejamos o que diz: “Não há nenhum motivo teológico para estabelecer diferenças entre um seminarista diácono em ordem ao presbiterado e um diácono permanente celibatário, casado ou viúvo, porque o diaconado é um só. Todos são sacramentalmente configurados a Cristo”.

“Os ministérios na Igreja, entre os quais o diaconado, dispõem a comunidade eclesial e os fiéis a realizarem a sua missão de servir o evangelho neste mundo, ou seja, a fazer com que a boa noticia do reino seja anunciada, celebrada e testemunhada na história para a levarem ao seu cumprimento.”, afirma, enquanto não coloca dúvidas que o Concilio Ecuménico II aprovou o ministério diaconal, muito pressionado pela debandada de padres e a contínua falta de “vocações presbiterais”, até porque existe uma “afirmação já clara da sacramentalidade do diaconado.” E mais escreve: “O diaconado faz parte integrante do ministério da sucessão apostólica; os diáconos participam a seu modo (suo modo) na missão que os apóstolos e os seus sucessores receberam de Cristo mediante o seu Espírito, através da mediação eclesial. Por meio da sua ordenação, os diáconos participam, com efeito, do ministério de testemunho da fé apostólica e, por sua parte, da custodia da identidade apostólica e, portanto, evangélica. […] o diaconado é ainda interpretado, pensado e posto em prática no âmbito do ministério sacerdotal.” E vai mais adiante, afirmando: “Encontramo-nos diante de uma “suplência presbiteral”: o diácono como substituto do pároco, mesmo que não se lhe confie formalmente a paróquia.”

Reconhecendo as dificuldades do diácono pois “não se pode negar que a dificuldade maior [sobre o diácono permanente] provém dos padres, para os quais a presença de um clérigo casado, com família, trabalho e outros compromissos associativos, sociais e culturais, com relações sociais e pastorais abertas, que é um “homem do limiar”, pode despertar problemas mal ou nunca resolvidos no que respeita ao seu celibato.”

O artigo escrito e publicado, traduzido, para o português na Revista Igreja Portucalense, coloca cada vez mais razões da inserção do diácono como transportador dos problemas da humanidade e fazedor da sua transformação, certo de que aqueles que são os “penúltimos”, os presbíteros, beneficiarão com os “últimos”, os diáconos, na sua ação dinamizadora de uma Igreja que não pode estar só em “manutenção” e carregada de “serviços” que os leigos podem assumir.

Isto é, segundo o autor, “O ministério dos diáconos pode favorecer neste sentido uma melhor inculturação da fé, atendendo particularmente àqueles que estão à margem, com a intenção de caminhar um pouco com eles, de os considerar propriamente como “companheiros na fé”.”
Seria ótimo que antes de os bispos portugueses aprovassem as instruções sobre o diaconado em Portugal, lessem o Rev. Alphonse Borras e, talvez, alterassem o que escreveram. Mas não é tarde para mudar!

Joaquim Armindo
Pós Doutorando em Teologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental
Diácono – Porto – Portugal

Deja una respuesta

Tu dirección de correo electrónico no será publicada.