O DIACONADO BASE DO SERVIÇO DA IGREJA

O DIACONADO BASE DO SERVIÇO DA IGREJA

O diaconado é a base do serviço de toda a Igreja. Todo o clero é diáconia, não existe um único membro de clero que não seja diácono. A diaconia tendo por base a Palavra de Deus, é o serviço prestado aos mais carecidos, e da diaconia ninguém poderá ser afastado, ou melhor, o diaconado ao serviço do Povo de Deus, ao serviço dos homens e das mulheres que não acreditam no evangelho de Jesus. Esta diaconia também pertence ao Povo de Deus, quando este se manifesta por intermédio do Espírito Santo, dá lições de verdadeiras diaconias ao clero. Afinal o clero, e os diáconos, só existem porque eles precisam da Igreja, e estão ao serviço dela; o clero só existe para ser servo e impulsionar a Evangelização. Quando o diácono, ou o clero, não têm presente que é na diaconia que existe a força do serviço, e emerge com novas fórmulas do exercício do poder, torna-se clericalismo, coloca-se fora do serviço, fora da Igreja. Tantas leis se inventam para a organização clerical, que dizem chamar-se Igreja, que se perdem em tribunais e polícias e “bufos” maledicentes, daquilo que deverá ser o organismo criado por Jesus, e que é uma Igreja de Amor. Ou pensam os bispos, lá por se sentarem no primeiro lugar alto do templo, que isso é serviço? Ou pensam os presbíteros, lá porque tecem mais leis deprimentes que o código do direito canónico, que isso é serviço? Ou pensam os diáconos, lá porque querem imitar os “padres”, que isso é serviço? Não é, isso para o clero não casado são subterfúgios para acalmarem os seus desejos “imaculados”, de servirem-se do Povo de Deus e postarem-se como sobreviventes daquilo que os apoquenta de não exercerem o seu, esse sim imaculado, de se darem em amor e saberem o que é viver em família, com mulher e filhos, para a Humanidade. Estar ao serviço não se compadece com regulamentos e leis, que se vão tornando cada vez mais impeditivos de se reconhecer a igreja com a Missão de Deus a todo o mundo. A Igreja não é uma organização militarizada, onde o posto é um comando, mas, muito, ao contrário disso, a Missão de Deus, tem uma Igreja para anunciar o Reino de Deus, na sua magnitude de Amor e de Misericórdia. E “Reino” de Deus, não é reinado, onde existe uma organização de tronos e dominações, barões e condes. Este “Reino” é diferente, só tem uma recomendação: Amar, quem quiser subir a tronos não está neste “Reino”, quem quiser comandar, não é aqui que deve estar.

Tenho vindo a escrever que, por isso, existe a Palavra de Deus, a Tradição e a Razão, assim como a nossa Experiência. Mas a Palavra é fundamental para se compreender o que se espera de nós, alimentados pelo sacramento central da vida dos cristãos: a Eucaristia, que não tem “dono”, nem é possível sem o Povo de Deus, muito ou pouco. A razão de ser da eucaristia não é um isolamento, mas um sentar à mesa todos os servidores, que não se importam de lavar os pés dos irmãos, por mais ou menos “graduado” que seja.

E porque, temos a Razão e a Experiência, tenho vindo a referir três documentos fundamentais, para balizar a nossa atividade e que há cinco anos, tantos pretendem esconder. “Louvado Sejas”, “Querida Amazónia [Mundo]” e “Todos Irmãos”, podendo aliar a estes a “Alegria do Evangelho”, são essenciais para a compreensão do que é o Grito da Terra e o Grito da Humanidade, na luta pela Justiça e, consequentemente, da Paz. Querer separar um dos outros é uma tática milenar, de dividir para reinar, ou melhor, que tudo fique na mesma. Não se pode esconder a leitura do Evangelho e as suas (re) leituras, embora tantos o queiram – não digo tantas, porque o feminino, ainda não existe, e tudo levaria a crer que se existisse não existiria lugar para tantos poderes-, aliás, como Francisco refere no livro “Sonhando Juntos”.

Sublinham aqueles documentos um paradigma novo, para uma Igreja renovada: a Terra e as relações entre os seres, a Sinodalidade e a Fraternidade. O diácono que está ao serviço dos outros não poderá nunca calar a sua voz, sobre a mudança estrutural e a renovação da Igreja. Embora com algumas lacunas, sobre as mulheres e celibato obrigatório em algumas tradições católicas, como as de rito romano, não se poderá nunca deixar escapar aquilo que tantos, absorvidos pela avidez do exercício do poder, que não é de Deus. O clero está ao serviço. O diaconado está ao serviço. Não podem, contudo, existir leis humanas que deturpem o sentido de serviço, e o façam sobre leis ditadas por poderes despóticos.

O diaconado só estará ao serviço da Igreja, se servir a Humanidade, não podem existir empecilhos e ditames que queimem a comunhão e a fraternidade, mesmo que seja em lume brando.

 

Joaquim Armindo
Pós – Doutorando em Teologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental
Diácono- Porto – Portugal

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