«Donde el Estado es solo una señal de tráfico»
En la plaza de este pueblo no hay cajeros automáticos, ni farmacia, ni rastro de cobertura en el móvil. Lo que queda es un silencio que se pega a las paredes de piedra y que solo se rompe tres veces por semana cuando suena el claxon de la furgoneta del panadero. Ese pitido es el último cordón umbilical que une a los ocho vecinos que quedan con un mundo que parece haber decidido que ellos ya no cuentan. No hay romanticismo en esta soledad; cuando el panadero deje de venir porque ya no le salga a cuenta el gasoil, el pueblo dejará de ser un lugar donde se vive para convertirse, oficialmente, en un lugar donde simplemente se espera el final.
Dentro de la antigua escuela, el mapa de España en la pared todavía muestra provincias conectadas por infraestructuras que nunca llegaron. Las tizas se han deshecho solas en el carril de la pizarra y los pupitres acumulan un polvo que nadie limpia porque no hay niños que lo levanten al correr. No es una imagen poética, es un fallo del sistema. Los que se quedan no son héroes de ninguna épica, sino gente que se niega a cerrar la puerta porque no tiene otro lugar donde ser alguien. Cada vez que muere un vecino, se cierra una enciclopedia de nombres y límites de fincas que nadie se ha molestado en heredar. El problema de este olvido no es que sea triste, es que es irreversible.
Esa impotencia se mastica en la sala de espera del médico, que ahora solo abre dos horas los martes si el tiempo permite que el doctor llegue desde la cabecera de comarca. No es solo que falten medicinas o atención; es la humillación de tener que pedir permiso para ponerse enfermo o de cronometrar las urgencias en kilómetros de carretera secundaria. Se siente una rabia sorda al ver por la televisión grandes inversiones en alta velocidad y ciudades inteligentes, mientras aquí la mayor innovación tecnológica del año ha sido que el cartero ahora trae un datáfono para poder cobrar las facturas. Es la conciencia de ser ciudadanos de segunda, útiles para pagar impuestos pero demasiado pocos para que sus votos pesen en un despacho de la capital.
El problema de que estos pueblos se apaguen no es solo una cuestión de mapas vacíos o de maleza que devora el asfalto. El verdadero agujero es la identidad de un país que está perdiendo su memoria física. Al dejar que estas casas se hundan, estamos borrando el rastro de quiénes fuimos antes de convertirnos en hormigón y asfalto. Un país que solo sabe mirarse en el espejo de sus ciudades es un país amputado, que ha decidido que su historia rural es un estorbo en lugar de una base. Si no se pone remedio, el futuro no será el de una España moderna, sino el de un territorio con un corazón desierto, donde lo único que quede de nuestras raíces sea el nombre de un pueblo en una señal de tráfico que nadie tendrá motivos para seguir. El último que se vaya no tendrá ni a quién entregarle las llaves.
Onde o Estado é apenas um sinal de trânsito”
Na praça desta cidade não há caixas eletrônicos, nem farmácia, nem vestígios de cobertura no celular. O que resta é um silêncio que gruda nas paredes de pedra e que só é quebrado três vezes por semana quando a buzina da van do padeiro toca. Esse bipo é o último cordão umbilical que une os oito vizinhos que ficam com um mundo que parece ter decidido que eles não contam mais. Não há romantismo nesta solidão; quando o padeiro parar de vir porque não conta mais do diesel, a cidade deixará de ser um lugar onde se vive para se tornar, oficialmente, um lugar onde simplesmente se espera o fim.
Dentro da antiga escola, o mapa da Espanha na parede ainda mostra províncias conectadas por infraestruturas que nunca chegaram. Os giuz se desfez sozinhos na pista do quadro-negro e as carteiras acumulam uma poeira que ninguém limpa porque não há crianças que a levantam enquanto correm. Não é uma imagem poética, é uma falha do sistema. Aqueles que ficam não são heróis de nenhum épico, mas pessoas que se recusam a fechar a porta porque não têm outro lugar para ser alguém. Toda vez que um vizinho morre, uma enciclopédia de nomes e limites de propriedades que ninguém se preocupou em herdar é fechada. O problema desse esquecimento não é que seja triste, é que é irreversível.
Essa impotência é mastigada na sala de espera do médico, que agora só abre duas horas às terças-feiras se o tempo permitir que o médico chegue da cabeceira da região. Não é apenas a falta de remédios ou cuidados; é a humilhação de ter que pedir licença para ficar doente ou de cronometrar emergências em quilômetros de estradas secundárias. Sente-se uma raiva surda ao ver na televisão grandes investimentos em alta velocidade e cidades inteligentes, enquanto aqui a maior inovação tecnológica do ano foi que o carteiro agora traz um datáfono para poder cobrar as contas. É a consciência de serem cidadãos de segunda classe, úteis para pagar impostos, mas poucos demais para que seus votos pesem em um escritório da capital.
O problema dessas aldeias se apagando não é apenas uma questão de mapas vazios ou de ervas daninhas que devoram o asfalto. O verdadeiro buraco é a identidade de um país que está perdendo sua memória física. Ao deixar essas casas afundarem, estamos apagando o rastro de quem éramos antes de nos transformarmos em concreto e asfalto. Um país que só sabe se olhar no espelho de suas cidades é um país amputado, que decidiu que sua história rural é um obstáculo e não uma base. Se não for remediado, o futuro não será o de uma Espanha moderna, mas o de um território com um coração deserto, onde a única coisa que resta de nossas raízes é o nome de um povo em um sinal de trânsito que ninguém terá motivos para seguir. O último a sair não terá nem a quem entregar as chaves.