SINODO QUE QUEREMOS SEJA SINODO

SINODO QUE QUEREMOS SEJA SINODO

A acompanhar o documento preparatório do Sínodo 2023, existe um documento, infelizmente só traduzido para o inglês, que é um manual para entender o caminho sinodal, a que se chama Vademécum. É importante, nesta fase inicial, deixar alguns dos pormenores que contém. Diz o documento: “O processo sinodal é antes de mais nada um processo espiritual. Não é um exercício mecánico de coleta de dados ou uma série de reuniões e debates. A escuta sinodal é orientada para o discernimento. Requer que aprendamos e exercitemos a arte do discernimento pessoal e comunitário. Escutamos uns aos outros, à nossa tradição de fé e aos sinais dos tempos para discernir o que Deus diz a todos nós. O Papa Francisco caracteriza os dois objetivos interligados deste processo de escuta: “escutar a Deus, para que com Ele possamos ouvir o clamor do seu povo; ouvir o seu povo até estarmos em harmonia com a vontade a que Deus nos chama. Esse tipo de discernimento não é apenas um exercício único, mas, em última análise, um estilo de vida, baseado em Cristo, seguindo a liderança do Espírito Santo, vivendo para a maior glória de Deus. O discernimento comunitário ajuda a construir comunidades florescentes e resilientes para a missão da Igreja hoje. O discernimento é uma graça de Deus, mas requer nosso envolvimento humano de maneiras simples: orando, refletindo, prestando atenção à disposição interior de cada um, ouvindo e conversando uns com os outros de forma autêntica, significativa e acolhedora. A Igreja nos oferece várias chaves para o discernimento espiritual. No sentido espiritual, o discernimento é a arte de interpretar em que direção os desejos do coração nos conduzem, sem nos deixarmos seduzir por aquilo que nos leva a onde nunca quisemos ir. O discernimento envolve reflexão e envolve o coração e a cabeça na tomada de decisões em nossas vidas concretas para buscar e encontrar a vontade de Deus. Se a escuta é o método do processo sinodal e o discernimento é o objetivo, a participação é o caminho. Promover a participação nos leva para fora de nós mesmos para envolver outras pessoas que têm pontos de vista diferentes dos nossos. Ouvir aqueles que têm os mesmos pontos de vista que nós não damos frutos. O diálogo envolve o encontro de opiniões diversas. Na verdade, Deus frequentemente fala por meio das vozes daqueles que podemos facilmente excluir, deixar de lado ou desconsiderar. Devemos fazer um esforço especial para ouvir aqueles que podemos ser tentados a ver como sem importância e aqueles que nos forçam a considerar novos pontos de vista que podem mudar nossa maneira de pensar.”
A passagem apresentada é um pouco extensa, mas convém refletir, nesta fase, o que se pretende, embora saibamos que em alguns grupos, ou mesmo países, as mordaças vão ser impostas ao Povo de Deus, de onde emerge o Espírito Divino. Esta primeira fase da audição, do ouvir, o que os milhares de milhões têm a dizer é fundamental para um Sínodo que expresse uma vontade sentida e infundida pelo Espírito e não pelos poderes que sentem que são eles o Espírito de Deus.
O “manual” responsabiliza pela sua execução os bispos, presbíteros e diáconos, pela mensagem que se quer transmitir da participação ativa e “sem medos”. Convém sublinhar esta questão de os diáconos serem chamados, pois numa diocese de Portugal, o respetivo bispo emitiu um comunicado público chamando só “os bispos e os padres”, aqui já se sente uma deriva relativamente aos documentos oficiais, que também enquadram os diáconos e nesta diocese os esquecem. Não vamos, porém, deixar de intervir em todos os aspetos sinodais, porque quanto mais não fosse somos batizados e temos uma palavra a dizer, por incumbência de sermos filhos de Deus. Esta diocese começa e começa mal, se só for esta a proceder assim, e querer extirpar os diáconos já é nada mau, seria muito mal que outras se juntassem.
O que se pede aos diáconos é que não desanimem, mas contra “ventos e marés”, prossigam, naquilo para que são chamados: não ser porta-vozes do Povo de Deus, mas trabalhadores para que esse Povo cresça em dignidade e possa fazer valer a sua voz, que é sempre profética, é bom não esquecer.
Joaquim Armindo
Pós Doutorando em Teologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental
Diácono – Porto – Portugal

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