Diaconado Permanente da Diocese do Porto -Portugal-: «”Levantou-se apressadamente”: Uma leitura de Lc 1, 39-45» em conferência no CCC

DIACONADO PERMANTE – DIOCESE DO PORTO-PORTUGAL

 

 

«”Levantou-se apressadamente”: Uma leitura de Lc 1, 39-45» em conferência no CCC

 

Na noite de 12 de outubro teve lugar por meios telemáticos a 1ª sessão do ciclo «Levanta-te: Juntos por um caminho novo», em torno de grande parte das temáticas do Plano Diocesano de Pastoral 2021/2022. Esta sessão, bastante participada, como expressam os 107 dispositivos informáticos ligados, constou da conferência «“Levantou-se apressadamente”: Uma leitura de Lc 1, 39-45», proferida por D. António Taipa, Bispo auxiliar emérito do Porto. Coube-lhe abrir o ciclo com uma leitura do episódio lucano da visitação de Maria a sua prima Isabel, de onde é retirada a expressão que inspira a planificação pastoral na diocese do Porto e que serve de lema à próxima Jornada Mundial da Juventude. A expressão é também apropriada ao contexto de recuperação da pandemia, como, aliás, não deixa de fazer ressoar o Plano Diocesano de Pastoral: «Em tempos de pós-pandemia importa “levantar-se”, ressurgir, partir de novo, ao jeito de Maria, […], para sair ao encontro do próximo, levando e renovando o anúncio do Evangelho, na Palavra que se anuncia e se faz Carne na caridade para com o próximo».

  1. António Taipa situou na sua abordagem no horizonte teológico do texto, renunciando a outros níveis de impostação, designadamente os referentes às suas fontes, à sua historicidade ou ao seu género literário. Aproximando-se da perícope através do método da lectio divina, fixou a sua “leitura” em três tempos: «o que o texto diz, o que o texto quererá dizer, e possíveis aberturas duma eventual resposta».

Depois de percorrer as linhas mestras do acontecimento, D. António apontou o objetivo de Lucas na sua transmissão: a apresentação de Jesus, o Senhor, e de Maria sua Mãe, «Mãe do meu Senhor», como dirá Isabel, assim como a do precursor que inicia a sua missão no ventre de sua mãe. Colocando Maria no âmbito da história da salvação, referiu que Deus ouviu dela «o que esperava de um Povo que há séculos se vinha a preparar para receber o seu Filho feito homem». Entendendo-a como «o vértice, o ponto mais alto da fé do Antigo Testamento», situou-a também «no ponto mais alto da fé neotestamentária», enquanto é «a mãe do meu Senhor». Assim, nas palavras do conferencista, «o “encontro” adquire toda a sua dimensão: torna-se num encontro entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a promessa e o seu cumprimento, de Israel com a Igreja, de Jesus com o seu precursor».

  1. António fixou-se, por fim, na resposta ao texto, a partir de três aberturas. Primeiramente, o «levantou-se», que leu «na sua abertura significativa à ressurreição de Jesus, ao seu Mistério Pascal, à meta final do projeto de Deus Salvador». Maria, na visitação, emerge projetada, no plano de Deus, «para a meta final daquele plano salvífico concebido por Deus desde antes da criação». Em segundo lugar, o «apressadamente», que nada tem a ver com o tempo do relógio ou com a necessidade de confirmação do sinal do anjo, dada a antecedente anuência de Maria ao que lhe foi anunciado, mas que remete para a urgência da partilha de um momento particularmente feliz. Finalmente o «encontro», de que Maria tomou a iniciativa e que é encontro com a vida e gerador de vida. Dele se infere que a resposta humana a Deus passa por viver com os outros e para os outros.

A concluir, ficaram estas palavras de D. António: «Levantai-vos a caminho daquela “vida nova” para que todos estamos potenciados, pelo Batismo que nos enxertou no mistério da Morte e Ressurreição de Jesus, e ide, a correr, anunciá-lo aos amigos. Somos um “Povo de Deus peregrino e missionário”».

No final da conferência não se proporcionaram observações e pedidos de esclarecimento, se bem que D. António ainda tenha acrescentado algumas observações à sua reflexão. A intervenção, ao jeito da lectio divina, favoreceu sobretudo a reflexão pessoal no confronto com a palavra.

Juntou-se a seguir uma reflexão de um texto de Alphnse Borras, intitulado “O diácono entre a teoria e a práxis”, terminando o encontro com a oração de Completas.

 

A próxima conferência do ciclo realiza-se a 9 de novembro, às 21 h. O P. Sérgio Leal, que tem trabalhado cientificamente a sinodalidade, abordá-la-á sob o título: «A sinodalidade como estilo para uma permanente conversão pastoral».

 

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