O SÍNODO, OCASIÃO PARA OS DIÁCONOS SEREM OUVIDOS

O SÍNODO, OCASIÃO PARA OS DIÁCONOS SEREM OUVIDOS

O Diaconado, dito Permanente, está exponencialmente a crescer, enquanto o presbiterado está em decréscimo acelerado. A tal ponto isto está a acontecer, que aquilo que queríamos não estamos a sentir, em várias regiões desta nossa Terra. Não queria – de facto, não queria mesmo -, chegar a uma conclusão drástica, que é por um lado o presbiterado, por outo o diaconado. Ambos são necessários para a “colheita”, têm funções especificas, e querem caminhar juntos, mas isso não está a acontecer. Numa diocese de Portugal, conto um caso, sem grande importância para a Salvação de ninguém, mas sintomático de que é necessária a formação devida para tudo o que vai, e rá, acontecendo, para mais tratando-se de uma morte, sempre penetrante na vida das pessoas, e que a espiritualidade da igreja não pode ficar distante. Vai lá a história: um diácono de uma determinada diocese chegou a uma outra diocese, no sentido de presidir a um funeral da sua madrinha; apresentou-se na paróquia, com o devido cartão identificativo e solicitou a presidência do funeral, contando toda a história de vida da pessoa que passou para a sua morada final. Muito bem, -disse o funcionário da paróquia -, mas aqui quem preside a funerais sou eu, porque eu sou o “Ministro dos Funerais”. Bem, disse o diácono, o senhor é o “Ministro dos Funerais”, extraordinário, eu que sou ordinário no ministério, peço o favor de o substituir. Não, temos de falar com o pároco, este não atendeu a chamada telefónica. Lá tiveram de telefonar para autoridade eclesiástica acima, para dar o consentimento da troca, e assim foi realizado.

Dito este exemplo, como exemplo, sem mais comentários – até poderá ser necessário o “Ministro dos Funerais” -, mas é significativo do estado da igreja em Portugal, que necessita de ministros extraordinários para funerais. E, diga-se, os funerais são muito importantes, para a família, para os amigos e amigas e para a comunidade cristã, que prima em não comparecer.

Esta fotografia diz-nos alguma coisa que sabemos: os padres diminuem drasticamente, os diáconos sobem exponencialmente, mas, mesmo assim, são insuficientes para o trabalho da Evangelização – os funerais também são Evangelização! Mais do que pensamos.
Perante esta situação comungo, as seguintes interrogações:

1.- Devemos ou não, na igreja latina, estudar as limitações impostas pelo magistério, e que não se verificavam na igreja primitiva, de impedir o acesso de homens casados ou a casar ao ministério do presbiterado e de bispo e outras obrigações caducas provenientes do Direito Canónico?

2.- Devemos ou não, “permitir” a ordenação a todas as ordens ministeriais, de mulheres, em igualdade absoluta com os homens?

3.- Devemos ou não, acelerar o processo do diaconado permanente, “dando-lhe” a Graça Sacramental da Unção dos Doentes e da Eucaristia e permitindo que aqueles que o desejem e com a formação necessária acedem ao presbiterado?

4.- Devemos ou não pensar em novos ministérios a atribuir aos fiéis das igrejas, sem deixar ninguém de fora, como nos catequistas, leitores e acólitos?
Deixo estas questões aqui explanadas como interrogativas, embora como saibam responderia afirmativamente.
Esta é a hora de nestes anos os diáconos, tão ostracizados, levantarem as suas reflexões sobre estes assuntos e os expressarem. Que ninguém tenha medo, Jesus não o condenará por isso, antes pelo contrário. Que os diáconos passem a ser ouvidos a ter voz, que em tantas partes é negada. Vamos aproveitar o Sínodo?

Joaquim Armindo
Pós-Doutorando em Teologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental
Diácono – Porto – Portugal

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