Marie Maincent: "Na confluência entre o conjugal, o eclesial e … o eclesiástico!"

«Na confluência entre o conjugal, o eclesial e … o eclesiástico!»

 

Marie MAINCENT

PhD of Theology, author of Les femmes dans le ministère de Jésus, De l’ombre à la lumière?, Médiaspaul, 2017.

 

Em maio passado, os delegados do diaconato em Namur, Bélgica, convidaram os diáconos e suas esposas para refletir sobre a melhor maneira de articular Matrimônio e Ordem, dois sacramentos que, após a decisão do Vaticano II para restaurar o diaconato permanente na Igreja Católica, estão novamente ligados. Certamente, esta decisão fez reaparecer a figura da esposa do clérigo, uma figura que foi desaparecendo gradualmente após a reforma gregoriana com a imposição do celibato para os padres da Igreja Latina. Assim, a Igreja abriu um novo capítulo, porém os bispos e todos os católicos e os próprios diáconos têm percebido que o lugar das esposas dos diáconos é marcado por muito poucos marcos e pontos de referência anteriores.

Do Matrimônio e Ordem

Junto com Marie Maincent, delegada do CID, que havia sido convidado para conduzir este dia de formação, 18 casais da diocese de Namur e Luxemburgo refletiram primeiro sobre cada um destes dois sacramentos, começando com o matrimônio porque, cronologicamente é o primeiro a ser celebrado.

Antes da ordenação diaconal, o casamento começa com duas histórias distintas, de duas pessoas que decidem escrever juntos uma história nova e comum, com simetria absoluta no Sacramento do Matrimônio, fundada no Batismo. No Sacramento do Matrimônio, ambos os cônjuges estão diretamente envolvidos, da mesma forma, pelo mesmo ato. A este respeito, é necessário insistir que o Sim expresso no casamento não seja renovado no momento da ordenação. A Ordem não resulta do Matrimônio, o que tornaria a resposta positiva dada pela esposa no diálogo com o Bispo uma espécie de segundo sim. A natureza do sacramento da Ordem é diferente. Ele corresponde ao serviço (diakonia) de toda a Igreja, mas por causa deste serviço específico relaciona e se refere a Cristo e à missão particular que Ele confiou aos seus Apóstolos.

Ao Matrimônio com Ordem

Em uma segunda fase, o tema evoluiu: do Matrimônio e da Ordem ao Matrimônio com a Ordem. O objetivo era entender corretamente cada sacramento separadamente para que os casais o experimentassem em sua correta e harmoniosa integração na vida cotidiana. O diaconado deve ser vivido em sua integralidade por cada um dos cônjuges e até mesmo por todo o círculo familiar, já que o Matrimônio e a Ordem não são, em qualquer caso, realidades abstratas que devem ser comparadas teoricamente. Sempre se trata de pessoas reais que vivem realidades concretas. O que de fato existe não é o Matrimônio em si ou a própria Ordem, mas homens e mulheres casados. Há homens encarregados de um ministério diaconal e mulheres casadas com diáconos.

A abordagem ao tema foi pragmática: apoiada por numerosos comentários dos protagonistas, diáconos e suas esposas que ouviram e foram ouvidos durante muitas visitas em várias dioceses, posto que Marie Maincent antigamente foi representante das esposas dos diáconos no Comitê Nacional Francês do diaconado. Como tal, ela teve muitas oportunidades de se encontrar, trocar opiniões e discutir com candidatos e também com diáconos e suas esposas.

Jogo de papéis invertidos

Dado que homens e mulheres não têm a mesma percepção das situações e tentado abrir um espaço comum para que os participantes se unam a seus cônjuges em seus respectivos questionamentos e progresso, houve discussões separadas por grupos de homens e mulheres que posteriormente tornaram possível o cruzamento de falas.

Ao meio-dia, as discussões entre os casais revelaram um aspecto essencial da questão: sobre o casamento há uma simetria total entre os cônjuges, uma vez que ambos estão experimentando uma simetria batismal e também uma simetria conjugal. Nesta configuração, o diaconado introduz uma assimetria que pode ser ou tornar-se uma ocasião ou uma causa de desequilíbrios e, portanto, de ajustes. Dado que apenas o marido é ordenado, ele tem um compromisso pessoal que sua esposa não tem. No entanto, esse compromisso é extremamente importante. Portanto, é essencial que o casal se dedique a ele de forma clara e livre.

As esposas … fora e dentro do diaconado

Ficou claro que a necessidade de as esposas terem a oportunidade de compartilhar seus questionamentos e vivências deve ser levada em consideração para evitar que, por um lado, o marido renuncie e, por outro lado, que ela abdique de sua responsabilidade; ela pode se sentir tentada a deixar que a instituição discirna, o que a levaria a viver uma aventura não escolhida. Parece ser de extrema transcendência ajudar a investigar os vários possíveis significados da resposta positiva dada pela esposa. É sobre aceitação? De permissão? De resignação? Talvez um elemento de concessão? De promoção? De apoio? De qualquer forma, uma resposta negativa também pode ser uma opção espiritual muito forte. Pode ser fruto de uma reflexão espiritual, fruto do Espírito que permite abandonar maravilhosas imagens de dedicação e serviço que não teriam sido realistas ou suportáveis para a pessoa e seu círculo familiar. Eis o paradoxo do diaconado, que implica, ao mesmo tempo, um chamado ao serviço e um verdadeiro altruísmo no serviço que deve ser oferecido com humildade e autenticidade.

Entre o altar e o mundo

Na terceira fase, as numerosas questões relacionadas a essa confluência muito especial entre conjugal, eclesial e eclesiástico levaram a descobrir e desenvolver os muitos frutos do diaconado. Entre eles, o diaconado visto como uma abertura para o dom e para a confiança, uma abertura para o diálogo entre o casal, já que o tempo dedicado ao diaconado não deve aparecer como tempo roubado dos outros, seja mulher, família ou amigos.

No que diz respeito à sociedade, através da experiência do diácono e sua esposa – estando localizado entre o altar e o mundo – o diaconado leva a Igreja ao coração das alegrias e dificuldades das famílias, aproximando assim a Igreja do mundo.

 

(*) Tradução livre de Diác. Alberto M C Melo

 

Fonte: cnd.org.br

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