Sinais dos tempos

1.- Os bispos portugueses na sua última reunião, de 2 de maio, divulgaram uma carta pastoral intitulada “Um olhar sobre Portugal e a Europa à luz da doutrina social da Igreja”. Querendo interpretar os sinais dos tempos que atravessamos e tendo em consideração as eleições europeias e legislativas em Portugal, os bispos dividem as suas reflexões em quatro princípios essenciais: a dignidade da pessoa humana, o bem comum, a solidariedade e a subsidiariedade. Em quatro capítulos se divide esta carta pastoral: “Toda a vida tem igual valor”, “O bem de todos e de cada um sem a ditadura da maioria”, “Cuidar da Casa Comum” e “Nem Estado centralizador, nem Estado mínimo”. No direito à vida referem “o respeito pelas crianças, pelos mais frágeis” que, infelizmente, por alguns membros da Igreja são praticados; também os mais velhos são referidos, com o direito à dignidade de viver até ao fim, sem ver nos idosos aqueles que são “incapazes de trabalhar, um peso a rejeitar”. Quando a estes não se promovem o tratamento da saúde, a alimentação básica e os cuidados continuados e paliativos, estamos a falar à dignidade da pessoa humana.

2.- Dedicam a sua atenção às críticas a uma “economia que mata” e à “autonomia absoluta dos mercados”, apelando à solidariedade ativa. Requerem uma maior intervenção para superar a demografia escassa, expressam a necessidade da conciliação entre o trabalho e a vida familiar. O bem comum é o contrário da corrupção, por isso urge o combate contra tráfico de influências e a aquisição indevida de vantagens. A unidade da Europa só tem sentido quando trabalhando para o bem-comum. Por isso, cuidar da nossa casa comum será a distribuição dos bens por todos, sem excluir ninguém. Segundo os bispos portugueses o Estado não deve ser um “mínimo”, nem um “centralizador”, que suprima a liberdade; não um Estado indiferente ou omisso, mas suprindo as insuficiências da sociedade, do qual destacam o Serviço Nacional de Saúde.

3.- Sendo uma carta pastoral fica-se com a sensação de que os bispos se esquecem de algumas questões importantes: a cultura, a sustentabilidade e o seu desenvolvimento, e embora refiram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, nunca se encontram referências aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. E é pena!

Joaquim Armindo

Doutorando em Ecologia e Saúde Ambiental

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