O que Francisco diz sobre os homossexuais

O QUE FRANCISCO DIZ SOBRE OS HOMOSSEXUAIS

Num filme sobre o papa Francisco, tornado público há algum tempo, ele referiu-se a muitas questões da Humanidade muito importantes e a certa altura abordou uma questão é que conhecida como “fraturante”. Diz, o bispo de Roma, que relativamente a duas pessoas do mesmo sexo, que se amam, poderão constituir uma família do ponto de vista civil e que a sociedade deve reconhecer tal facto. Logo apareceram os habituais purpurados na defesa de uma outra atitude, que é de “queimar o amor” que existe entre pessoas do mesmo sexo. Francisco não modificou a doutrina da Igreja Católica Romana, infelizmente tem de reconhecer-se isso, quanto ao casamento de pessoas do mesmo sexo, mas, também, de forma corajosa interpretou a doutrina de Jesus, ao não excluir ninguém como Filho e Filha de Deus. Esta, a doutrina de Jesus, e não venham com Sodoma e Gomorra, porque tal é outra música, não deixa de fora ninguém, seja qual for a sua situação de escolha sexual. Diria mesmo que Ele não deixa de fora mesmo ninguém. A pessoa que nasce já é Filho ou Filha de Deus, quer seja batizada ou não, pode é não querer pertencer a este Povo que Louva o Senhor, mas isso não lhe tira a Graça de ser Filha ou Filho de Deus. A homossexualidade sempre existiu, e foi tida por algumas civilizações como normal, mas não será por isso que dizemos que duas pessoas do mesmo sexo se amam; o amor não faz dessas distinções, mesmo naquilo que é a sexualidade. Conheço casais de homossexuais que estão casados civilmente, e são casais e famílias, que fazem inveja na sua doação e amor aos casais que dizemos “bem casados”, normais, com matrimonio, e que são infelizes toda a vida.

A encíclica “Todos Irmãos”, a que acrescento e irmãs, constitui uma magnifica clareza sobre o que Francisco pensa sobre os irmãos e irmãs que somos, incita à fraternidade e amor comum, como fundamento do descobrir o Reino que o Senhor Jesus nos deixou. Ela só deplora tudo o que não for para o bem-comum, e mesmo se percebe em todo o seu texto o conceito do bem-viver, não existem anátemas contra o amor seja ele qual for. Sei que, também, é natural que todos os homens cardeais ou bispos ou até presbíteros, que se sentam num cadeirão para serem vistos como o Poder no meio do Povo e suas Ordens aceites, não vejam com bom grado, que se lhes retire a prerrogativa da definição de amor, e muito mais de amor sexual. Então põem-se a adivinhar o que será o amor e as recônditas definições. E dividem-no e obstam a que pessoas do mesmo sexo tenham amor sexual, podendo constituir família. Talvez, quem sabe!, tantos deles, têm mulheres escondidas com filhos e filhas ou até homens a quem doam o seu amor sexualizado.

O amor entre pessoas do mesmo sexo não obsta ao casamento, matrimónio, em tantas igrejas cristãs, e até à sua ordenação. Estão erradas? Não sabem a verdade Bíblica porque só nós temos essa Verdade interpretativa e a lemos? Nunca podemos esquecer que a nossa Verdade Bíblica é uma leitura de tempos e culturas, e não, quantos!, não a conseguem (re) ler teologicamente. Os senhores cardeais, sabem que é necessária a mitra, mas esquecem-se do que é necessário é amar, e amar não escolhe idades, sexos ou situações sociais.

Francisco fez muito bem, não desfaz as famílias que se constroem com pessoas do mesmo sexo, e considera-as “família”. Se a Igreja é a Família das famílias, não pode esquecer esta importante segmento que são as uniões “de facto” da homossexualidade. E diz muito bem que são “de facto”, é o amor a produzir frutos, “de facto” existe família no seu seio, e brota o amor como seiva que brilha numa Nova Humanidade.

O matrimónio como ato sacramental é, para nós cristãs e cristãos, uma bênção do Senhor, que nos une e fortifica como família, mas quem diz que o casamento homossexual não obtém a bênção do Senhor, mesmo que não seja presente perante a comunidade cristã? O facto de existir uma “união de facto”, já é em si uma bênção do Senhor. Quando a Igreja Católica Romana “acordar” para estas famílias, então seremos todos irmãos e irmãs, Filhos e Filhas do mesmo Pai. O Espírito Santo não necessita de uma pessoa ordenada para derramar a sua bênção sobre estas pessoas, porque Ele atua, onde menos esperamos.

Os diáconos, ditos permanentes, são casados na sua maioria, e sabem o quanto a família é companheira, é santa, e todos nós – diáconos -, que somos os olhos da Igreja no mundo, não encontramos tantos bons exemplos de casais homossexuais ligados indissoluvelmente por Jesus de Nazaré.

Francisco, merece a nossa mais sincera gratidão, ao reconhecer as famílias homossexuais, ao dizê-lo e assumir, perante uma Igreja que parece não querer viver em fraternidade e amizade social. São sinais de todos os tempos, que tantos teimam em colocar fora do rebanho do Senhor, mas que Ele acolhe e protege. (Para que conste sou casado e pai de dois filhos).

Joaquim Armindo

Diácono – Porto – Portugal

Pós- Doutorando em Teologia

Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

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