DIÁCONOS: EM HOSPITAIS DE CAMPANHA

DIÁCONOS: EM HOSPITAIS DE CAMPANHA

O diácono não é em uma linha piramidal sujeito ao presbítero, porque ele é ordenado, não é instituído, para estar ao serviço do ministério do bispo, que é o ministério ao Povo de Deus. O desenho configurativo não é o bispo – presbítero – diácono, numa linha vertical, quase como que um “servilismo” ao presbítero, mas numa linha horizontal onde de um lado estão os presbíteros e do outro os diáconos, e isto é que é o presbitério ao serviço do Povo de Deus. Os diáconos são ordenados em primeiro lugar ao serviço dessa “unidade” que é o bispo e que é configurado na Igreja de pedras vivas do Senhor. São Ignacio de Antioquia (século II), escrevia: “É necessário que os diáconos, ministros dos mistérios de Jesus Cristo, o façam em todos os sentidos. Pois não são ministros de comida e bebida, mas ministros da Igreja de Deus…Que todos respeitem o diácono como Jesus Cristo, e também ao bispo, que é uma imagem do Pai, e aos presbíteros como um “senado” de Deus e assim constituem o colégio dos Apóstolos. Sem os diáconos, não se pode falar em Igreja”. O diácono como cooperador do bispo no seu ministério, assume funções de assistência, ensino, liturgia, e em Roma, século III, era assistido por um subdiácono. Toda esta reflexão da autoria do diácono permanente, doutorado em Teologia Dogmática, publicada na Revista “Diaconia Christi”, do International Diaconete Centre, torna-se cada vez mais pertinente, quando – como diz o autor -, o diácono parece mais um ministro “instituído” e não “ordenado”, para ser substituto eventual do presbítero.

O diácono impedido do exercício de alguns sacramentos, como por exemplo a assistência àqueles que estão muito próximos da morte, e necessitam de “falar” para melhor passar à casa do Pai, não o podem fazer, impedindo muitos e muitas do Povo de Deus de partir em paz consigo, com os outros e com Deus. Seria de repensar este e outros sacramentos onde por razões especiais o diácono pudesse exercer um múnus em sintonia com o episcopado.

O papa Francisco fala muito em que a igreja deverá montar “hospitais de campanha”, onde fosse permanente o serviço da Ecologia Integral a quem necessita dele. E não será por ordem divina que o diácono não é a primeira pedra na constituição desses hospitais de campanha. Normalmente o clero, que se verifica na vertical, espera nos templos que as cristãs e os cristãos, ou quem quer que seja venha ao seu encontro, quando o contrário é que está certo, a “saída”, o “ir” ao encontro de tantas e tantos que almejam por uma espiritualidade que os cure, daí os “hospitais de campanha”. Na parábola do “Pai Misericordioso” – mais conhecida como Filho Pródigo -, quando o filho regressa a casa, o Pai não “espera”, mas “corre” ao seu encontro e festeja. Este “correr” é que são os “hospitais de campanha”, ir ao encontro e ministrar o que será necessário festejar.

Embora, como acima se tentou dizer, a relação com o bispo, não seja vertical, mas horizontal, no presbitério comum com os presbíteros, são muitas as dificuldades que os diáconos enfrentam, por não existir um mecanismo que possa atender aos mais desprotegidos, no referente ao “pão” – que nos alimenta dia a dia -, e ao “pão” e ao “vinho”, que nos alimenta espiritualmente. Também no que diz respeito àqueles e àquelas que necessitam de “desabafar”, porque estão aflitos na sua consciência, por motivos de questões que os atormentam, mesmo que seja na “hora da morte” – e estamos a falar em hospitais de campanha -, os diáconos não podem exercer o ministério da misericórdia e perdão de Deus, e aconselhar que cada um, ou cada uma, possa ir ao encontro de Deus e do outro, que o aflige.

Como se disse o “ministério ordenado”, não é o “ministério instituído”, mas tem caráter sacramental, e não podem ser os poderes humanos a subverter o que Jesus nos deixou. Esta não é uma luta dos diáconos permanentes, nenhum de nós vai reivindicar o que quer que seja, porque não se trata de “reivindicações”, mas do bom senso que os homens detentores de “poderes adquiridos”, de servirem o Povo de Deus, de servirem a Humanidade, de servirem a Criação, devem refletir e alterar.

Os “hospitais de campanha” de que precisamos urgentemente, e, então, nesta velha Europa, muito mais, só em substância podem funcionar. Pois, essa substância está adquirida por que Jesus a deu e os seus seguidores deram o exemplo. O apóstolo Paulo por quem foi ordenado? Pelo Espírito do Senhor, que desce sobre quem quer. Hoje com uma igreja organizada, haveremos de compreender e refletir, se Jesus excluiu qualquer dos seus seguidores. Nenhum, e nós sabemos e acreditamos que últimos atos de Jesus não estavam só os doze apóstolos, mas muitos outros e outras.

Ao Povo de Deus devemos o serviço, porque nele está encarnado o Espírito do Senhor, e é dele [povo] que o Espírito brota, quer queiramos, quer não.

Joaquim Armindo

Diácono – Porto – Portugal

Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

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