CINCO PERGUNTAS PARA O SÍNODO DOS BISPOS

CINCO PERGUNTAS PARA O SÍNODO DOS BISPOS

O Sínodo dos Bispos vai reunir-se em 2023, depois de grandes reflexões realizadas ou a realizar por tantos cristãos e cristãs. Este Sínodo é o dos Bispos, não é o da Igreja, mas de uma parte da Igreja, mas é significativa a esperança que todos e todas colocamos nas suas decisões. Gostaríamos, porventura, que deste Sínodo saíssem-se decisões que mais preocupam o povo cristão. E tantos e tantas de nós não compreendemos, não por falta de fé, nem de assumirmos que o Espírito do Senhor esteja com todos nós, mas porque defendemos, talvez também iluminados pelo Espírito do Senhor, que a Igreja tem e deve falar aos homens e às mulheres do hoje de forma concludente. Ao vivermos no mundo de hoje, não estamos em outra época, mas de hoje com a sua cultura, vivenciada por Deus. Atrevo-me a colocar ao Sínodo dos Bispos cinco perguntas que me parecem pertinentes e que as leituras dos sinais dos nossos tempos nos fazem (re) ler algumas posições tomadas e nem sempre conforme o caminho do Evangelho. É necessário, pois, que nestes dias em que vivemos a sinodalidade seja um apelo aos sinais dos tempos, querer fazer sinodalidade com os poderes da igreja inseridos na sociedade e nos cristãos é negar a solidez de Jesus crucificado e ressurreto.

A primeira pergunta que gostaria de fazer aos bispos sinodais é a questão do dogma da infalibilidade, o qual já demonstrou estar completamente inadequado à sociedade em que vivemos. Os últimos papas nunca usaram esse poder e é altura de o substituir por uma autêntica colegialidade e sinodalidade, ou melhor, quando existem questões a dirimir que o seja por consenso da igreja na sua catolicidade, o que pressupõe uma sinodalidade efetiva englobando todos os crentes e não só os poderes instalados. Este dogma que fez afastar a igreja católica romana de uma efetiva presença ecuménica, deve ser relido à luz do que é ser católico, e não a pressões que pouco têm a ver com a presença do Espírito Santo. Este, coitado, às vezes serve para tudo e para o seu contrário. Porque não (re) ler este dogma na perspetiva do hoje?

A segunda questão que colocarei é qual o poder papal na definição de tudo em que a igreja acredita e quer. O poder papal decide após ouvir quem bem entende ou os Sínodos ou Concílios, a última palavra é sempre dele e prevalecente. A ser assim não é de colegialidade que se fala, nem do “primeiro entre os pares” que decide depois de refletir com eles. Mesmo com o papa Francisco já assistimos ao Sínodo da Amazónia que depois de muita reflexão propôs algumas questões polémicas, mas sem que fossem resolvidas, na exortação apostólica “Querida Amazónia” muitas dessas decisões foram objeto de silêncio, pelo menos não foram condenadas, mas também não ativadas. Porque não o bispo de Roma ser o “primeiro entre os pares”?

A terceira questão que colocarei é sobre a ordenação feminina a todos os ministérios da igreja, que na primitiva igreja não se colocava, mas hoje continua a ser objeto de uma análise fria de exclusão. Como poderão as mulheres sentir-se parte desta igreja se são consecutivamente marginalizadas. A unidade da igreja faz-se pela sua inclusão e pedido de perdão por tantos anos a marginalizarem-nas. Não existe nenhuma objeção teológica, bíblica ou doutrinal, que impeça a ordenação das mulheres em todas as instâncias dos ministérios, nem há que ter ministérios especiais, isto não é clericalismo, o contrário sim. Porque continuar uma discriminação sem nexo algum?

A quarta questão que gostaria aqui de colocar é a obrigatoriedade do celibato dos presbíteros e bispos, não existindo também nenhum motivo para tal ser obrigatório. Os padres gostam das pessoas como outros quaisquer outros, é da essência humana, um dom dado por Deus, quando no Éden coloca dois seres humanos em relação um com o outro. Porque não libertar os padres do pesadelo do celibato obrigatório?

A última questão prende-se com o diaconado. Quer no respeitante à Unção dos Enfermos, quer em relação à Eucaristia. No referente ao sacramento da unção dos enfermos, mesmo quando determinada pessoa está nos últimos momentos de vida, o diácono não vai “parar a morte” e chamar um padre e a pessoa parte desanimada por aquele último momento de vida, porque não o diácono, como no batismo, poder dar a bênção final nesse momento? Existem pessoas que celebram as páscoas – que são cada domingo -, sem a Eucaristia, porque não está presente um padre. Porque não instituir a possibilidade – já a Sínodo da Amazónia o disse – de nestes casos o Diácono poder oficiar, ou mesmo um leigo referenciado para tal. Se a Igreja faz a Eucaristia, a Eucaristia faz a Igreja. Será melhor não existir Eucaristia – tantas vezes com intervalos anuais – ou instituir a possibilidade de a realizar por um diácono ou pessoa qualificada para tal?

Cinco temas que se não forem agora objeto de análise, daqui a alguns anos se verá que estivemos a perder tempo.

Joaquim Armindo

Pós – Doutorando em Teologia

Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

Diácono – Porto – Portugal

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