Ano 2018: consolidação e desafios do diaconado

Diác. Gonzalo Eguía

Coordenador de Servir em las periferias

Bilbao, Espanha, 4 de janeiro de 2019

Iniciamos a caminhada deste novo ano de 2019, boa ocasião para fazer um resumo simplificado do ano que terminamos e sua relação com o ministério diaconal.

Sem desejar ser exaustivos, quem acompanhou os últimos doze exemplares de nosso Informativo mensal, poderá tirar as seguintes conclusões:

O ministério diaconal é consolidado na Igreja Universal, a celebração do quinquagésimo aniversário das primeiras ordenações depois do Concílio Vaticano II, como também da restauração deste ministério na Igreja dos Estados Unidos, onde nos mostra um longo caminho percorrido, com um desenvolvimento considerável no continente americano e europeu, que começa a estar presente no resto do mundo. O Informativo aproximou-nos de notícias contínuas de dioceses que continuam o processo de instauração do ministério diaconal, como também de um sem fim de ordenações.

O diaconado como ministério permanente segue seu progressivo e constante avanço numérico. Enfrentando a estagnação do ministério presbiteral, o diaconado conheceu um aumento de 14,4% no último quinquénio, até chegar a mais de 46.300 diáconos na atualidade. A nível ibero-americano o aumento é persistente. Chama a atenção a situação do diaconado nos Estados Unidos de América, depois de várias décadas em que este país tinha mais de metade dos diáconos do mundo, se reduziu a 41% do total, principalmente devido ao desenvolvimento do ministério dentro da Igreja Universal.

Diversas personalidades da Igreja manifestaram seu reconhecimento e valorização do ministério diaconal ao longo do ano 2018, o Informativo transmitiu as mais significativas, tanto de âmbito mundial como no ibero-americano. Destaca, por sua importância para a Igreja Universal, a referência do Sínodo sobre os jovens onde são convidados a desenvolver o potencial do ministério diaconal na Igreja.

Foi apresentado as funções que os bispos vão atribuindo a seus diáconos. Junto às clássicas e conhecidas da tríade ministerial própria, os diáconos vão assumindo pedidos e tarefas mais variadas, relacionadas com as necessidades que as igrejas locais vão reconhecendo em tantas periferias existenciais. Neste sentido o ministério diaconal vai sendo configurado como um ministério dinâmico e adaptativo em função da Missão da igreja.

Precisamente este carácter adaptativo do ministério diaconal foi desanexado um dos desafios que este ministério tem. A necessidade de que cada diocese vá descobrindo as diferentes diaconías que lhe são necessárias para levar por diante seu projeto evangelizador; e a necessidade de inculturação, incardinação e presença dos diáconos na vida quotidiana de suas irmãs e irmãos.

Outro desafio que foi revelado é a necessidade de clarificação teológica de questões que, depois de quinze anos do documento da Comissão Teológica Internacional “O diaconado: Evolução e perspetivas” ainda estão pendentes. Fomos testemunhas da questão mais mediática delas, a que se refere ao diaconado feminino das primeiras comunidades, mas urge fazer uma reflexão teológica e levar à prática pastoral questões como a sacramentalidade do diaconado, o sentido da fórmula

“Non ad sacerdotium, sed ad ministerium”, a referência ao serviço “in persona Christi servi”, e a unidade do sacramento da ordem.

As diferentes notícias, estudos, reflexões…que fomos conhecendo, continuam a apresentar um ministério que sublinha seu caráter útil para responder logo onde é necessário um diácono, desta forma deseja-se destacar a dimensão diaconal de toda a Igreja. Um ministério que não se apresenta como mera substituição do presbítero e que mesmo estando intimamente unido ao serviço da caridade e da justiça, não se limita unicamente a este campo.

Continua sendo necessário concretizar de que forma o ministério diaconal pode fortalecer as grandes propostas do Papa Francisco, principalmente aquelas relacionadas com uma igreja em saída, “hospital de campanha”, ao serviço das periferias, que combate as enfermidades do “clericalismo” e do poder antievangélico que leva ao abuso dos mais débeis e que deseja apresentar a Boa e Alegre Notícia do Reino de Deus diante dos desafios atuais como a paz mundial, o futuro do planeta, as migrações, o diálogo ecuménico e interreligioso…

O ano 2019 trará novas notícias e informações que faremos chegar com a intenção de fortalecer este projeto informativo e formativo diaconal que é “Servir em las periferias”.

No horizonte deste novo ano vislumbramos que diversos acontecimentos eclesiais formularam conclusões que terão seus efeitos na Igreja e no ministério diaconal, pensamos no Encontro dos presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, nos próximos 21 a 24 de fevereiro no Vaticano, diante da situação dos abusos sexuais; a Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Panamazónica que se celebrará no mês de outubro de 2019 e que tratará sobre o tema “Amazónia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”; ou as conclusões a que pode chegar o Papa Francisco depois da leitura do relatório da Comissão de estudo sobre o diaconado feminino na igreja primitiva.

A partir de Roma chega-nos a Mensagem que o Papa dirigiu por ocasião da 52 Jornada Mundial da Paz.

Relacionado com o Sínodo para a Amazónia, que falamos anteriormente, soubemos como os trabalhos preparativos da Assembleia Pré-sinodal da Região Norte 1 de Brasil, solicitou uma Igreja que promova “O diaconado permanente e as diaconisas”.

Aconteceu na cidade de Toledo – Espanha – o XXXIII Encontro Nacional do Diaconado Permanente de Espanha, vários artigos fazem referência a este acontecimento.

O diácono Eduard Ludwig (da arquidiocese de Pamplona – Tudela, Espanha) relata duas reflexões: a primeira sobre o “munus regendi do diácono”e a segunda sobre o livro “World, Liturgy, Charity”. Por sua vez o diácono brasileiro José Carlos Pascoal escreve sobre “Diaconia, Missão e Santificação. Incluiu-se também no Informativo a sexta entrega do artigo do diácono italiano Enzo Petrolino sobre “El Diácono a la luz de la Evangelii Gaudium”.

Neste campo de publicações, duas revistas dedicam seus editoriais ao tema do diaconado :

Alfa y Omega intitula “Diaconado feminino; as mulheres da Igreja estão à espera”.

Juntam-se dois testemunhos no apartado “Conhece ao diácono...”

Encaramos este novo ano com intenção e esperança cristãs, o “Menino que nos nasceu e o Filho que nos foi dado”torna-nos irmãos a toda a Humanidade, acompanha-nos e não nos abandona, a todos os que se aproximam deste espaço diaconal desejamos um solidário e feliz ano novo.

Em nome da Equipa de Redação e Coordenação, um fraternal abraço.

Tradução do original: Diacono Mario Henrique Pinto