O DIÁCONO  É UM MARGINAL, OU NÃO É DIÁCONO

 

O DIÁCONO  É UM MARGINAL, OU NÃO É DIÁCONO

Por mais que queiramos ou não, de facto, o diácono é uma marginal. Há quem o confunda com um presbítero, há quem o confunda com um leigo, mas não nos resta afirmar que o diácono é, porque tem de ser, um marginal; tinha de ser assim, marginal porque passa as amarguras da sua marginalidade. Existe uma coleção de vários livros, em espanhol, que retratam o que chamam “Un judío marginal” – aliás, é muito interessante ler as páginas destes livros -, mas é assim Jesus, foi um Judeu Marginal, na sua plenitude e não fugiu das suas margens, esteve sempre lá, onde os poderes religiosos e políticos não estavam, nem queriam saber de tal. Jesus é um marginal, não só porque andava com os “marginais” da época, mas, também, porque foi marginalizado, e quem não é marginal, nem marginalizado, não é digno da vida de Jesus. Este Jesus foi marginalizado até ao fim da sua vida terrena. Aqueles que o acompanhavam são marginais, morto, Jesus, pelos poderes clericais e políticos, nem por isso, deixou a herança da salvação para todos os homens e todas as mulheres, que o seguiam ou não. Existem duas particularidades em Jesus. A primeira é que a Salvação foi para todos, numa Unidade da Totalidade, não foi morto, apedrejado e ressurreto, só para quem o seguia – com muito medo-, mas ergueu toda a Humanidade, mesmo para quem o apedrejou, mentiu, negou e matou, e esta é uma característica única.

A Salvação cosmológica, segunda característica, de Jesus é uma Totalidade, porque morreu e ressurgiu também pelo cosmos, pela salvação das plantas e dos animais, que nós dizemos irracionais. E isso é único, não constitui um sacrifício, mas uma doação a toda a Criação. Ele ressuscitou com estes seres viventes, e deu o ser aos não-viventes – que nós dizemos -, as pedras dos caminhos, as águas dos mares e rios, a vegetação e os animais selvagens ou domésticos, talvez sejam os únicos que o não abandonaram. O que será tal senão uma marginalização?

Quem quer ver os seguidores de Jesus, olhem se eles são queridos por tantos poderes instituídos – tantas vezes em nome de Cristo -, não são; são olhados de desdém, porque são os marginalizados, os excluídos, da vida das igrejas e das vidas da sociedade. Foi ou não foi assim com Jesus?

Quem olhar para uma sumptuosa igreja – não quero que as deitemos abaixo, que fique claro -, com um digno trono onde um homem vestido com “dignidade” -dizem-, não está nas margens, nem é marginalizado pelos poderes políticos ou religiosos, mas temido pelos seus “funcionários”, que vivem dependentes dele economicamente e são amarrotados no quotidiano da vida. Quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir, veja e ouça, sinta este nosso Cristo maltratado, agora, pelos que dizem servi-lo.
Por isso o diácono tem de ser um marginal, marginalizado, colocado fora das margens, para ser bem acolhido; não pode ser de outra forma para ser diácono, que dizem “permanente”, e bem que o seja, porque permanentemente é marginalizado e ostracizado. Ser diácono como Filipe o foi, como tantas mulheres o foram – e agora, são esquecidas -, ou como Estevão, que não se vendeu, ou no dia de hoje, o Cardeal – Diácono Tolentino Mendonça que está, ainda, nas boas graças de alguns poderes, o caminho que aponta é marginal, chamam-lhe poeta, e é-o, faz da poesia a vida, distribui discursos incomodativos, só que teve a graça do bispo de Roma se chamar Francisco. Por este rumo que está a tomar será colocado numa “prateleira dourada ou prateada”, onde não incomode ninguém.
O Diácono é um marginal, ou não é Diácono, na medida em que Jesus foi marginal e marginalizado, o diácono não pode ter tronos; por isso, é necessário vigiá-los, puxá-los com uma corda, para não irem muito à frente, domá-los, quero dizer.

O Diácono é um marginal, ou não é Diácono, porque sabe que a sua “comunidade é o mundo”, parafraseando John Wesley, anglicano e que deu origem ao metodismo, e que dizia isso, quando anunciava a boa-nova nas praças e junto às camadas dos operários e dos mais pobres, quando a igreja inglesa (anglicana), estava de muito bem com as autoridades do reino.
O Diácono é um marginal, ou não é Diácono!

Joaquim Armindo

Pós-Doutorando em Ecologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental
Diácono – Porto – Portugal

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