Nas últimas décadas, a Igreja experimentou um extraordinário crescimento espiritual e pastoral, devido à receção em profundidade dos documentos do Concílio Vaticano II. Muitos documentos pontifícios foram publicados- do Beato Paulo VI, São João Paulo II, ao Papa Bento XVI – que explicou o Concílio com mais detalhes. Neste contexto, o diaconado permanente recuperou as raízes da sua presença na comunidade dos crentes e também no tecido social mais amplo, adquirindo, por um lado, a consciência do seu papel de serviço a Cristo e às pessoas e recebendo, por outro lado, um novo impulso através da orientação fornecida pelo Magistério durante esses anos para a reflexão eclesial comum.

Gostaria agora de agradecer ao autor Enzo Petrolino, Presidente da Comunidade do Diaconado na Itália, que quis reunir, com vista ao Jubileu dos Diáconos  celebrado a dia 29 de Maio de 2016 na data do Ano Santo, meus textos relacionados com o diaconado, tanto do período do meu ministério episcopal em Buenos Aires quanto dos mais recentes que publiquei como Bispo de Roma.

É interessante e necessário analisar hoje o desenvolvimento aprofundado do diaconado permanente, desde a sua renovação até o presente- para entender melhor o seu caminho, através de uma interpretação que utiliza toda a riqueza doutrinal, pastoral e exortativa que caracterizou os discursos e as várias declarações dirigidas pelos Pontífices, em diversas ocasiões, aos diáconos do mundo inteiro, nestes anos pós-conciliares. A Igreja encontra no diaconado permanente a expressão e, ao mesmo tempo, o impulso vital para que ele se torne um sinal visível da diaconia de Cristo Servo na história dos homens. A sensibilidade à formação de uma consciência diaconal pode até ser considerada o motivo fundamental que deve permear as comunidades cristãs.

O serviço do ministério diaconal encontra sua identidade no ato de evangelizar, como foi dito por João Paulo II numa homilia do ano 1979, dirigida a um grupo de novos diáconos e fazendo memória da formula de entrega do livro dos Evangelhos durante a ordenação:” Recebe o Evangelho de Cristo, do qual agora és herdeiro. Crê no que lês, ensina o que crês e pratica o que ensinas”. De modo que estais chamados a levar as palavras dos Atos dos Apóstolos no coração. Na vossa qualidade de diáconos, tornaram-se associados de Pedro e João e todos os Apóstolos. Ajudais no ministério apostólico e participais na sua proclamação.  Como os Apóstolos, também vós deveis sentir impulsionados a proclamar a ressurreição do Senhor Jesus em palavras e com obras. Também deveis experimentar a urgência de fazer o bem, de prestar serviço em nome de Jesus crucificado e ressuscitado, de levar a Palavra de Deus à vida do seu povo santo.

Portanto, como escrevi na Exortação Apostólica Evangelli Gaudium, é bom que sacerdotes, diáconos e leigos se reúnam periodicamente para encontrar juntos os recursos que tornam a pregação mais atraente! Outro aspeto importante é a oração pelas vocações. Todos os fiéis devem assumir a sua responsabilidade pelo cuidado e o discernimento das vocações, inclusive no que refere ao ministério diaconal. Quando os apóstolos procuravam um que assumisse o lugar de Judas Iscariotes, Pedro congregou 120 irmãos (cf. Atos 1,15); e para a vocação dos sete diáconos convocou o grupo dos discípulos (cf. Atos 6,2). Hoje também a comunidade cristã está sempre presente no surgimento das vocações, na sua formação e na sua perseverança (cf. EG107). Além disso, toda a diaconia da Igreja- da qual o ministério é um sinal e um instrumento- tem seu coração pulsante no Ministério Eucarístico e é realizado em primeiro lugar, no serviço aos pobres que carregam em si mesmos o rosto do sofrimento de Cristo. O diácono Lourenço, que era o tesoureiro da Diocese de Roma, quando o imperador lhe pediu para trazer as riquezas da diocese e assim salvar sua vida- mostra os pobres. Os pobres são a riqueza da Igreja. Se tens um banco teu, se és proprietário de um banco, mas teu coração é pobre, não estás apegado ao dinheiro, terás sempre um coração ao serviço dos outros. Portanto, uma Igreja pobre e para os pobres. Já contei que durante a minha eleição, eu tinha ao meu lado, o Arcebispo emérito de São Paulo e também Prefeito emérito da Congregação para o Clero Cardeal Hummes. Quando fui eleito Papa, ele me deu um abraço, beijou- me e disse-me: “ Não te esqueças dos pobres!” E imediatamente, pensando nos pobres, veio-me à mente São Francisco de Assis. E assim o nome também veio ao meu coração: Francisco de Assis, que, sundo a tradição, era diácono. Para mim, ele é o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e se importa com a criação. Ele é o homem que deve inspirar os diáconos.

Durante os vários estágios do caminho diaconal nestes anos, o Magistério Pontifício deixou ao mesmo tempo uma marca explicativa e estimulante em relação à obediência fiel e à alegria que deve acompanhar a missão do diácono na Igreja e no mundo de hoje, orientações indicadas pelo Concílio, seu alcance e seus horizontes de ação. Aqueles que trabalham para a promoção do ministério diaconal e aqueles que o exercem, poderão encontrar nas diversas obras do autor publicadas pela LEV e, em particular nos documentos reunidos no Enchiridion, ideias interessantes para uma melhor compreensão e para maior aprofundamento – mesmo no sentido pastoral – da identidade e do papel dos diáconos permanentes nesta época em que vivemos. O ministério diaconal, portanto, deve ser visto, como parte integrante do trabalho realizado no Concílio com o fim de preparar a Igreja, na sua totalidade, para um apostolado renovado na Igreja para o mundo de hoje. Os diáconos podem ser definidos- e com razão- como pioneiros da nova civilização do amor como João Paulo II gostava de dizer. Este é o meu anseio, entretanto desejo a todos uma boa e frutuosa leitura.

Cidade do Vaticano, 31 de Julho 2017

Enviado por: Diácono Enzo Petrolino

Traducción del original en español: Diácono Mario Henrique Pinto