Há ainda muito trabalho de sensibilização ”

Para implementar a instituição do diaconado permanente na Diocese, foi criado o Serviço para o Diaconado Permanente (SDP), para o qual foi nomeado como diretor o padre Pedro Viva.
Ao Presente, este responsável falou dos passos já dados e do muito trabalho ainda a fazer na sensibilização para este ministério.

 

Como resume o trabalho feito até agora pelo Serviço para o Diaconado Permanente?

Como qualquer projeto que se inicia, antes que se vejam os primeiros frutos há muito trabalho de bastidores. O Serviço para o Diaconado Permanente, nestes últimos dois anos, procurou criar as condições para que se dessem passos simples, mas decididos, em ordem à formação e futura ordenação de diáconos permanentes na Diocese. Depois da auscultação necessária, instituiu-se o Diaconado Permanente. Aprovaram-se as Normas e agora estamos a trabalhar no Plano de Formação, que está praticamente concluído. Desde julho que se iniciou a seleção dos candidatos e, em breve, iniciaremos um tempo propedêutico para os candidatos que Deus nos der em ordem ao discernimento dos próprios e da Igreja diocesana.

Sente que a Diocese está preparada para acolher este ministério?

É nosso trabalho, enquanto serviço da cúria diocesana, sensibilizar as pessoas e as comunidades para acolher este dom para a Diocese. Naturalmente que há ainda muito trabalho de sensibilização, dúvidas a esclarecer e mentalidades a abrirem-se ao novo. Mas sentimos que é por aqui que devemos ir e, aos poucos, vamos fazendo caminho.

Concretamente em relação ao clero, como vê que os padres encaram a futura existência de diáconos permanentes?

Os diáconos, como os presbíteros, fazem parte da hierarquia da Igreja. Ambos são colaboradores do bispo diocesano. Cada um com uma missão específica. Uns não vêm substituir os outros. A existência dos diáconos permanentes até pode ajudar a uma maior consciência da identidade e missão presbiteral. Poderão existir alguns receios, porque naturalmente terá de haver partilha de responsabilidades e missões. Mas estou certo de que os padres da Diocese desejam, e assim o expressaram, a existência de diáconos permanentes para a nossa diocese e veem nisso um facto muito positivo.

Quais julga serem os requisitos mais importantes num futuro diácono permanente?

De forma muito simples, direi que uma fé íntegra, uma genuína vontade de servir o Povo de Deus, uma fidelidade ao bispo e capacidade de diálogo com os outros ministros ordenados são condições necessárias para o exercício deste ministério.

O bispo indica a procura de candidatos “desde já”. Já estão identificados alguns deles? Já foram feitos alguns contactos nesse sentido? Como será feito esse trabalho de identificação de candidatos?

Sendo uma vocação pessoal, a Igreja terá sempre uma palavra a dizer no discernimento e na aceitação dos candidatos ao diaconado. Sem prejuízo de aparecerem alguns candidatos por si, necessariamente, pela especificidade desta vocação, ao pároco e à comunidade paroquial cabe um papel de identificação e de pronunciamento sobre os candidatos, antes da sua apresentação ao Bispo diocesano. Já recebemos de duas paróquias a indicação de três candidatos. Esperamos que, até à Páscoa, nos possam chegar a indicação de mais candidatos, que serão selecionados segundo as normas já aprovadas pela Diocese.

Há “voluntários” que se tenham já apresentado?

Naturalmente que as pessoas já indicadas se voluntariaram em aceitar fazer este discernimento. Mas não é possível uma pessoa se candidatar por si só a este ministério, à margem da sua comunidade cristã, ou sem que um padre se responsabilize pela sua apresentação ao Bispo diocesano. Sendo uma vocação pessoal, ela é também eclesial, no discernimento e na missão.

Prevê que os primeiros candidatos sejam celibatários ou homens casados?

Estou convencido de que os candidatos que nos aparecerem serão já homens casados. Embora casos de diáconos permanentes celibatários não sejam uma impossibilidade, é o caso de S. Francisco de Assis... Se nos aparecer um candidato nessas circunstâncias, terá de se perceber bem se não estamos perante uma vocação sacerdotal.

Há um número pensado como “ideal” para a constituição do primeiro grupo de candidatos?

Não temos um número fixo como mínimo ou como máximo. Mas o ideal seria um grupo entre os seis e os doze, porque permitiria um acompanhamento suficiente a todos os candidatos, suas famílias e comunidades, sem o prejuízo de ser um número tão reduzido que seria desanimador até para aqueles que aceitarem fazer este percurso.

Quando poderemos esperar a primeira ordenação?

Se iniciarmos o tempo propedêutico a partir desta Páscoa e o primeiro ano de formação a partir de setembro de 2017, respeitando o ritmo de cada um e as exigências canónicas, podemos apontar para o final de 2020 o tempo de celebrar as primeiras ordenações.

Há sectores concretos já identificados para o seu trabalho?

Os documentos da Igreja, baseados nas fontes bíblicas e no testemunho das Igrejas dos primeiros séculos, identificam já com clareza o campo de ação dos diáconos: Liturgia, Palavra e Caridade. Naturalmente que, depois, há que conjugar as necessidades da Diocese com as possibilidades de cada um dos diáconos, considerando as suas condições familiares e profissionais. Tudo será conversado ad casum.

Em seu entender, qual será o principal contributo dos diáconos permanente no contexto concreto da pastoral diocesana?

Não vejo, com sinceridade, a ordenação de diáconos permanentes como forma de compensar a falta de vocações sacerdotais. Estas continuarão a ser uma necessidade e temos de refletir sobre a razão de termos hoje tão poucas ordenações. Agora a existência da vocação diaconal vem trazer à Diocese, para além da variedade e riqueza de ministérios, uma maior consciência da sua missão para servir as pessoas, sobretudo os mais frágeis. P

Tomado de: http://leiria-fatima.pt/

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