UMA LEITURA DO DOCUMENTO SOBRE O DIACONADO EM PORTUGAL

UMA LEITURA DO DOCUMENTO SOBRE O DIACONADO EM PORTUGAL

Com a data de junho de 2021, saiu finalmente o documento da Conferência Episcopal Portuguesa, intitulado “O Diácono Permanente na Igreja em Portugal”, e foi no próprio título que se observou a grande alteração. O documento inicial tinha como título “O diácono permanente, ministério de serviço e proximidade”, e foi este que veio para análise do diaconado permanente em Portugal e mereceu, pelo menos na Diocese do Porto, uma análise muito crítica do mesmo e propostas de alteração que não foram contempladas. Mas, ainda, sobre a titulação: realmente os bispos portugueses têm muita razão na alteração do título do documento, pois o primeiro nada tinha de semelhante com o título, assim está mais correto, infelizmente. O título inicial era mais concretizado na vida do diácono, mais perto, mais audaz, mais capacitado para o entendimento para o demais clero e o Povo de Deus; o agora documento afasta mais os diáconos da sua real missão, a missão que foi definida por bispo de Roma, Francisco, papa, e que nada tem a ver com este opusculo, e dos documentos que o “O Diácono Permanente em Portugal” traduz quando fala da “Natureza e Teologia do Diaconado”, ou seja, no meu parecer, e só no meu, a Teologia do Diaconado introduzida no discurso papal aos diáconos da Diocese de Roma, é contrária às decisões tomadas pelos bispos de Portugal sobre o diaconado. Se o primeiro documento em discussão, era omisso e não atendeu aquilo que foi formulado na reflexão realizada no Porto. Um dos grupos afirmava: “…pede-se que este documento ajude a minimizar essas diferenças [realidades concretas entre paróquias] e fazer um caminho sinodal, onde o diaconado seja visto como verdadeiro sinal de Cristo Jesus que veio para servir e não para ser servido.” Mas mais fortemente, com aquilo que temos vindo a referir é no título que está a substância daquilo que podemos inferir do teor do documento, infelizmente para o papel do diaconado em Portugal. Talvez para quem aprovou e compilou o documento não tenha grande interesse, mas o para que está a acontecer em algumas dioceses de Portugal sobre o diaconado pode ser grave.

Num dos documentos reflexivos, dos diáconos do Porto, lê-se: “A Igreja em Portugal, a que a do Porto não pode ficar alheia, deve ter consciência que há um subaproveitamento do diaconado, pelas várias razões sobejamente conhecidas, pelo que o documento deve deixar bem explicito que a Igreja precisa muito de evangelizar e que detém nos diáconos ministros ordenados capacitados, logo capazes de colaborar na evangelização do Povo de Deus. Povo de Deus que reclama hoje por tempo: tempo para o auscultarmos, tempo para uma Eucaristia celebrada com tempo e não à pressa, porque tem-se outra logo a seguir.” O documento agora divulgado é um sistema fechado que executa leis, em vez de anunciar o evangelho principalmente por atitudes, os diáconos portugueses mereciam um outro tipo de consideração, quando mais não seja por possuírem a Graça que lhes foi conferida por um bispo, em nome de Jesus morto, ressuscitado e aparecido.

Iván Illich, no seu livro “La Iglesia sin Poder”, tem um parágrafo que retrata muito bem o que está a passar em Portugal, por analogia, das vocações de padres, diz ele: “Para contrastar a tendência das vocações e a debandada e abandonos clericais, são propostas muitas soluções: clérigos casados, religiosos e laicos em trabalhos pastorais, chamamentos mais vivos em campanhas direcionadas e distribuir o clero por todo o mundo…Tudo isso são intentos tímidos de rejuvenescer uma estrutura que está morrendo.” E esta forma de estruturar a Igreja está de facto morrendo, e só o Espírito do Senhor nos indicará qual o caminho a seguir, porque não deixa a Igreja morrer, a estrutura é outra coisa. Sinodalidade é caminhar juntos e então somos corresponsáveis, ou então não existe Sinodalidade, nem corresponsabilidade.

O documento de que vimos a falar da Conferência Episcopal Portuguesa, sobre os diáconos portugueses é, assim, uma irresponsabilidade que conduz ao desânimo dos diáconos, que se dão, sem nada esperarem, a não ser servir o Senhor.
Que o Senhor nos ajude a compreender caminhos que não percebemos!

Joaquim Armindo
Pós Doutorando em Teologia
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental
Diácono – Porto – Portugal

 

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