FORMAÇÃO EM UM CONTEXTO DE PANDEMIA

Para alguém poderá parecer contraditório refletir sobre formação em um contexto de pandemia. Mas é neste contexto, em que estão colocados em crise muitos aspectos da prática religiosa e da organização social como um todo, que o assunto formação torna-se atual, urgente, crucial, vital. Fala-se que depois da pandemia nada vai voltar a ser como antes. Que devemos viver algo novo. “O coronavírus acelerou uma mudança de época (…) os parâmetros, suposições e modelos que antes serviam como base para nossas ações já não funcionam mais”. (Cf. Papa Francisco, Vamos sonhar juntoso caminho para um futuro melhor. Intrínseca, Paulus, 2020, p. 62). “É uma ilusão pensar que podemos voltar ao ponto em que estávamos” (Cf. Idem, p. 63).

Dentro do contexto que estamos vivendo de mudanças vertiginosas em todos os campos, não podemos deixar a formação de mão. Quem larga a formação está cometendo suicídio ministerial. Está fazendo um des-serviço a Igreja. Está sendo surdo aos apelos do Espírito Santo. Está enterrando os talentos e potencialidades que devem ser continuamente desenvolvidos. Precisamos entrar em uma dinâmica de renovação. A formação recebida não é mais suficiente. A forma-ação não é mais adequada.

Estamos numa época de crise. Mas devemos enfrentar e entender a crise como algo positivo. Como oportunidade de crescimento, de purificação, de poder suscitar soluções novas. Tudo entrou em um processo acelerado de questionamento. Mas não se pode parar. A vida é caminho. E o caminho se constrói e se faz caminhando. Não é parando. Não é estacionando, e muito menos regredindo. Já dizia João XXIII que “vive-se para progredir(…) para ir sempre mais longe na trilha que Nosso Senhor nos mostra” (Cf. REB 23, 1963, 182, da alocução na audiência de 07/11/1962).

Hoje, vivemos assistindo a uma desconstrução radical de paradigmas; temos necessidade urgente de encontrar novos caminhos, de fazer novas experiências, de propor novas iniciativas; mas se não estamos acompanhando o desenrolar das ciências; se não estamos fortificando a vida comunitária; se não vivemos uma espiritualidade engajada; se não evoluímos humana e afetivamente, dificilmente teremos capacidade para atualizar uma proposta evangélica que possa congregar em torno de Cristo o homem de hoje.

A formação de que falamos não é só técnica, profissional, tendo em vistas um rendimento maior ou uma eficiência. Essa é a mentalidade presente nas instituições de ensino em geral, que preparam para competir no mercado. Esta formação é necessária, mas é urgente despi-la da sua roupagem capitalista, de prepotência e produtora de desigualdades.

Quando falamos de formação no âmbito da Igreja, entendemos que o importante não é tanto fazer cursos, quanto fazer um per-curso. Entendemos oferecer a possibilidade a cada um de percorrer seu caminho, partindo do que se é para chegar ao que devemos ser. Principalmente, a entendemos como uma progressiva com-formação com Cristo. Isto é, propiciar uma experiência de vida capaz de nos com-figurar a Cristo. De nos fazer crescer até a estatura de Cristo. Nos capacitar para dar continuidade a missão que nos foi confiada por Cristo. Poder ser parteiros dos carismas que estão dentro das pessoas. Ser ministros da unidade. e construtores do Reino de Deus e a sua justiça.

Palmares (PE) – Parte da Formação ministrada aos diáconos da CRD NE 2 – abril 2021

Fonte: cnd.org.br

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