TEOLOGIA DA CONSTRUÇÃO CÍVIL?

Os diáconos são imprescindíveis em qualquer paróquia. Normalmente nunca frequentaram nada como “Teologia da Construção Civil”. Ora, como sabemos, os padres (presbíteros) estão com uma série de funções. Controlar o dinheiro das igrejas. Fazer projetos de construção civil. Fiscalizar os projetos de construção civil. Acompanhar a execução dos projetos da construção civil. Verificar as obras que são necessárias fazer nas paróquias. Aqueles que têm outras atividades, fiscalizá-las e controlá-las. E ainda exercer um controlo cerrado sobre o diaconado, não vá estes ter alguma veleidade em saber de tijolos, cimento, tubos de órgãos, portas de igrejas, lajes e colunas de cimento armado. E vejam lá, outra função, ainda têm de confessar e dar a extrema-unção. Mas há uma importantíssima: pedir ao povo de Deus o dinheiro necessário para concretizar as obras de beneficiação, ou a faraónica vontade de quererem apresentar serviço, para ficarem nalguma estátua a lembrar o seu nome. Isto de saber de telhados e telhas, de pisos e cores para as pinturas, não é de todos. Mesmo os leigos, os mais bem formados sobres estas artes não estão a conseguir ver bem o que será necessário, são leigos mesmo, eles não, os seminários e as universidades possuem cadeiras de “Teologia da Construção Civil” e “Teologia de Sabedoria de gestão dos dinheiros do Povo de Deus”. Por isso sabem, até substituir os sermões, por caças ao dinheiro, ou mandar cartas aos paroquianos para saberem de necessidade do uso de determinado material nas obras, mais caro, mas de melhor qualidade.

Os diáconos, mesmo formados nestas artes, nada sabem. Como os senhores padres (presbíteros) não têm tempo para nada, são uns “sem-tempo”, resta aos diáconos saberem fazer oração, porque os padres não têm tempo, subordinados que são à construção civil e ao apressamento do dinheiro necessário. O diácono, assim, é necessário para proclamar a boa nova do evangelho, em oração, isto é, em ora+ação. Eles, os diáconos, saberão o exercício da caridade, do amor aos outros, com um senão, controlar as despesas e receitas é de quem detém o poder, e neste caso são os padres. Os padres constituem assim um excelente exercício de controlo e poder, e os diáconos humildemente o exercício da ORA+AÇÃO e da Caridade (Amor).

Os meus leitores pensarão que estou a escrever um texto anti-clero, ou anti-padres, o que não é verdade. A minha reflexão sincera é o que sinto e vejo, nem todos os padres serão isso, nem todos os diáconos serão isso, mas uma parte é isto mesmo. E quem vestir a carapuça, a ele servirá.
Os diáconos não ficarão envergonhados em nada ao serem chamados à ORA+AÇÃO, de forma nenhuma, nem serão menos se se dedicarem à Caridade, ao Amor pelos mais pobres, a uma Igreja dos pobres, com os pobres e para os pobres. Os diáconos só ficarão bem servidos como o seu Jesus de Nazaré, se isso fizerem.

Que existem diáconos, isso existem. Que existem presbíteros, isso existem. Que existem bispos, isso existem. Mas em toda esta plêiade existem os poderes que levam a fugir dos propósitos do Senhor, isso também há.

Os presbíteros que exerçam as suas funções dos homens – e quando existirem mulheres, mulheres -, sem a preocupação com o que hão de vestir e comer, sem preocupações dos tubos dos órgãos serem mais de mil ou menos de mil, sem a preocupação de saberem a qualidade dos tijolos e dos cimentos armados, mas com a preocupação e doação de crescerem em afetividade, de estarem juntos com os mais fracos, de buscarem a ovelha que saiu do rebanho, isto é que é o “cheiro das ovelhas”.

E os diáconos que não tenham a tentação de ocupar os lugares de “servidores” dos deuses das obras, mas da Caridade (Amor), proclamar e servir aqueles e aquelas que mais sofrem.

Tudo isto pode parecer excessivo, oxalá fosse, mas não é!

Joaquim Armindo~

Diácono da Diocese do Porto – Portugal

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