O diaconado feminino ?, questão em aberto.

O diaconado feminino ?, questão em aberto.

Diác. Gonzalo Eguía
Coordenador de Servir em las periferias
Bilbau, Espanha, 1 de junho de 2019

Como adiantamos na nossa última Editorial o Papa Francisco manifestou-se sobre a situação e conclusões da Comissão de estudo sobre o diaconado feminino na igreja primitiva. Não foi, como se esperava, em seu encontro com as participantes na XXI Assembleia plenária da União Internacional de Superioras Gerais, mas três dias antes, no diálogo que manteve com os jornalistas no voo de regresso da viagem apostólica à Bulgária e Macedónia do Norte. O Papa respondia ao repórter de “National Catholic Reporter”, Joshua McElwee, que lhe perguntara “ Pode dizer-nos algo que saiba sobre o ministério das mulheres nos primeiros nos da Igreja ? Tomou alguma decisão ?.

O Papa respondeu reconhecendo a diversidade de pensamento dos membros da Comissão e as expectativas da reflexão que fica por fazer:” todos pensavam diferente, mas trabalharam juntos e chegaram a acordo até certo ponto. Mas, cada um deles tem seu ponto de vista que não concorda com a dos outros. Assim pararam como comissão e cada um continua a estudar como continuar em frente.

O Santo Padre afirmava que mesmo reconhecendo que na igreja primitiva havia diaconisas – especialmente na “Síria, mas noutras partes não existiram ou eram poucas”-, com funções litúrgicas, em assistência a matrimónios com dificuldades,…não está suficientemente claro se essa realidade suponha uma ”ordenação sacramental ou não ? Sobre isso se discute e não está claro…não há certeza de que fosse uma ordenação com a mesma forma e finalidade que a ordenação masculina”.

Concluindo que “Não tenho medo do estudo, mas até este momento não está claro” e comparando com o sacerdócio feminino pagão que havia naquela época pergunta-se : como se entende que havendo este sacerdócio feminino pagão com as mulheres não ocorreu no cristianismo?”.

Sem necessidade de muitas interpretações, das palavras do Papa Francisco podemos concluir:

. O reconhecimento da existência de diaconisas na igreja primitiva.
. A falta de clareza sobre se esta instituição era comparável ao dos diáconos varões daquele tempo, especialmente em relação com a ordenação sacramental que estes recebiam.
. A diversidade de opiniões dentro da Comissão Pontifícia sobre estas questões.
. O reconhecimento de que a Comissão está neste momento longe de chegar a conclusões definitivas e o aval do Papa para que se continue a estudar e clarificar este tema.

Como um exemplo do que este debate está a assumir na Igreja Universal destaca-se as palavras do vice-presidente da Conferência Episcopal Alemã, o bispo de Osnabruck, Franz-Josef Bode, que em relação com o próximo Sínodo da Amazónia defende o diaconado feminino «como sinal de reconhecimento, apreço e mudança de status das mulheres na Igreja». Bem como a análise da realidade – «ver, julgar e agir» – que sobre este tema o bispo emérito de San Cristóbal de las Casas no México fez hoje.

Além disso, o Papa ofereceu-nos suas palavras em duas questões da actualidade. A carta Apostólica em forma de Motu Proprio “Vos estis lux mundi”, pretende orientar a forma de actuação diante dos abusos sexuais na Igreja. Simples e profundas são as palavras que o Papa dirigiu aos participantes na reunião da Cáritas Internationalis, em relação com a diaconia da Caridade. Convidamos às nossas leitoras e leitores a ler cuidadosamente ambos os textos que juntamos.

Do Brasil soubemos sobre o Comunicado que o novo Presidente da Comissão Nacional dos diáconos de Brasil (CND), o diácono Francisco Salvador Pontes Filho, enviou aos bispos brasileiros reunidos em Aparecida, em suas palavras fala sobre as principais contribuições da passada XI Assembleia Geral Eletiva, suas reflexões e propostas podem orientar a realidade do diaconado em nossas igrejas locais. Aproveitamos para felicitar ao diácono Pontes pela homenagem que recentemente lhe ofereceram a Assembleia Legislativa do Amazonas – neste momento que nos preparamos para a celebração do Sínodo da Amazónia -. Neste querido país é oferecido aos diáconos brasileiros a realização, no próximo mês de setembro, do segundo Curso Missionário para diáconos permanentes, organizado pela Conferência Episcopal de Brasil.

Novamente o CEBITEPAL recorda-nos a convocatória do curso Diplomado em Teologia do diaconado permanente, na sua quarta edição. Formação que terá lugar na cidade de Veracruz – México – de 17 a 28 de junho.

Parece significativo o arranque do diaconado permanente na arquidiocese de Buenos Aires – Argentina -, que foi sede episcopal do Papa Francisco, este início arrancou com os primeiros candidatos ao diaconado permanente naquela arquidiocese.

Já comentamos na editorial do mês passado sobre a Assembleia de diáconos realizada no passado 2 de abril no Porto, Portugal. Desta vez oferecesse uma revisão histórica. Parece sugestivo e esperançosa a imagem do corpo dos diáconos sendo escutados por seu bispo, enquanto se tratam questões tão interessantes como a formação específica – inicial – e permanente -, o exercício do ministério pastoral, a vida familiar… No mês de maio, esta experiência teve sua continuação no trabalho realizado no Conselho Presbiteral que trabalhou sobre a formação dos diáconos permanentes.

Todos os meses segue o pingar de ordenações de diáconos latino-americanos na diocese de Estados Unidos de América. Sobressai nesta altura a ordenação de dezasseis diáconos permanentes – três deles latino- americanos -,
na diocese de Boston, a igreja local que conta com mais diáconos permanentes do mundo, 548 diáconos no ativo.

Na secção de “Retalhos de história do diaconado ibero-americano” incluímos uma crónica sobre a realidade deste ministério em Panamá.

Ainda que não sendo uma informação de âmbito ibero-americano, recolhemos a informação enviada pelo diácono amigo Enzo Petrolino relacionado com o XXVII Congresso Nacional de diáconos de Itália, que terá lugar entre o dia 31 de julho e o 3 de agosto, em Vicenza, sob o título “Diáconos guardiões do serviço.Distribuidores da Caridade”.

O Informativo recolhe no capítulo de testemunhos várias semelhanças, é comovente a referência à vida de um avô diácono na vocação presbiteral de seu neto em Guayaquil – Equador -, e convida à ação de graças o retiro do diácono Kevin Ranaghan, dos USA, depois de quarenta e seis anos de ministério, sendo dos primeiros diáconos ordenados depois do Concílio naquele país.

O diácono português Joaquim Armindo junta-se como colaborador deste Informativo, agradecemos suas reflexões, nesta secção o Informativo inclui um breve relato sobre o diácono São Francisco de Assis, modelo de humildade.

Na secção de diaconias e serviços diaconais destaca a designação de três diáconos como auditores no Tribunal eclesiástico de Belo Horizonte em Brasil.

Dentro de sete dias celebraremos a festividade de Pentecostes, viveremos novamente o sentimento de sermos Igreja do Senhor Jesus enviada às periferias, que o Espírito do Ressuscitado anime nosso dia a dia para viver no serviço às irmãs e irmãos.

Em nome da Equipa Coordenadora e de Redação, um abraço fraterno.

Gonzalo Eguía

Tradução do original: Diacono Mario Henrique Pinto

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