NÃO É SINODAL O QUE NÃO É CORRESPONSÁVEL

NÃO É SINODAL O QUE NÃO É CORRESPONSÁVEL

Podemos gritar aos sete ventos que não há “vocações”, porque as há, podem não ser é a para este modelo de “padres”. Podemos no silêncio dos templos dizer “palavras tão bonitas”, sobre a defesa da Terra e do Ambiente, e até tentar denunciar a “economia que mata”. Tudo não passará de uma enorme irresponsabilidade e de um pecado se não existir coresponsabilidade. Os Sínodos romanos podem proclamar o que quiserem, tudo esquecerá, se não existir coresponsabilidade. Não existe nenhuma proclamação infalível sobre as “vocações”, se não existir coresponsabilidade. Toda a igreja quer que todos sejam corresponsáveis, se quem detiver o poder for o bispo, o padre ou o diácono, afinal o clero. O Povo de Deus não pode ser corresponsável, se não tiver voz ampla e plena. Podem fazer todas as proclamações, que são, até do Papa, podem ser consideradas infalíveis, que nada resolve porque não são sinodais, substanciadas na coresponsabilidade. Ninguém pode ser responsável naquilo em que não acredita, nem no que nunca refletiu. Por exemplo: a “Economia de Francisco [de Assis)”, é uma grande conferência, bem lançada, mas ninguém pode ser corresponsável por aquilo que é discutido por economistas e nunca foi refletido pelo Povo de Deus, que quer ser corresponsável. Só é “católico” aquilo que é refletido e crido por todos e em todos os tempos, se assim não for é simulacro, mas muito fraco.

Os senhores bispos, padres e diáconos têm reuniões para tudo, e até conselhos em que intervêm “certos” leigos, mas para aconselhar, e isso não é ser corresponsável. Lembro-me em reuniões do clero (com bispos, presbíteros e diáconos), onde os diáconos têm voz, “mas rapidinho”, ou são colocados no último ponto da ordem de trabalhos, e como já não há tempo, concede-se “um minuto”, o resto ficará arquivado. E se o diácono quer falar demais então está a perder a paciência aos senhores bispos e padres. Se isto se passa no clero, então vejam sobre aqueles que são maioritários o Povo de Deus, no qual mais de 50% são mulheres. Submetam-se aqueles que têm o poder de tudo – podem não ter autoridade -, se é economia que sabe, se é ecologia quem sabe, se é mestre de obras, quem sabe, se é Palavra de Deus, quem sabe, se é Tradição, quem sabe, se é pecado ou não quem sabe, se são problemas sexuais ou relações matrimoniais, quem sabe? O clero, principiando no papa e acabando nos diáconos, passando pelo foco esplendoroso dos padres e párocos. Isso disse uma circular do Vaticano, e está resolvido…

Estamos todos enganados sobre o que é sinodal, onde as mulheres e os homens que fazem a Igreja, não são escutados, nem informação recebem, nem formação. A corresponsabilidade que se espera dos chamados “leigos”, nunca poderá ser obtida se não tiverem assento em clima sinodal. O sínodo não pode estabelecer ditames sobre princípios doutrinários, e muito menos sobre dogmas ditos infalíveis, se esses não vierem da Palavra, da Tradição e da Razão. Para que tal seja sintoma dos tempos e vivemos e da história que professamos, devem a Razão e a Ciência ajudar a compreender o que se estabelece. Não basta dizer que para umas coisas o Espírito Santo está ressente e para outras não está. É necessário a vivência do Evangelho, da entrega a Jesus, e isso não se fará nunca com o foco no aparelho dos “padres”, exibindo leis ou cânones, muitos dos quais não encontram qualquer paralelo na Verdade de Jesus. Confinamos a Palavra, deturpamos a Tradição e somos anti- Razão, naquilo que são as vivências dos povos de hoje. E isso quer dizer que tantas e tantas pessoas se desliguem do Evangelho, porque “têm a sua religião” pessoal, e o que afirmam as estruturas da Igreja, não é sinodal, e não é corresponsável.

A Igreja de Jesus – que possui tantas tradições religiosas -, não é sabedoria dos cardeais, por muito que saibam. A Igreja de Jesus não é o medo do inferno ou o purgatório (este uma invenção muito lucrativa). A Igreja de Jesus é a Alegria do Evangelho, vivida sem medos, onde só é sinodal, quando existir corresponsabilidade, e esta é a audição dos saberes dos povos e das culturas, onde o Evangelho sempre esteve presente. Não existem sínodos de cardeais, existem sínodos do Povo de Deus, onde todos e todas se encontram, refletem, têm consciência dos seus erros, e vão ao encontro dos filhos pródigos, porque são do Pais Misericordiosos.

A Igreja não pode só escutar, e esperar por encíclicas, a Igreja deve ouvir, ouvir ativamente, os gritos de Jesus, na pele dos espoliados, e fazer deste grito o seu grito. A Igreja não é negociante, como Jesus nos ensinou, e a sua autoridade está no seu reconhecimento pelo Povo de Deus, que é o Povo deste Planeta ameaçado.

Pois façam sínodos, mas na corresponsabilidade, e não venham pedir corresponsabilidade, perante ordens emanadas de altas cadeiras, pensando que servem Jesus.

Nós os diáconos, ditos permanentes, temos o dever da denúncia profética e deixar de sermos irresponsáveis, só porque leis, feitas à medida, afirmam autênticos atentados ao Evangelho, do nosso Jesus.

Joaquim Armindo

Pós- Doutorando em Teologia

Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

Diácono – Portugal

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