As filhas e filhos dos diáconos na jornada vocacional do pai (II)

As filhas e filhos dos diáconos na jornada vocacional do pai (II)

Diác. Gonzalo Eguía
Coordenador de Servir nas periferias
Bilbau, Espanha, 1 de novembro de 2020

Continuamos a refletir sobre o lugar dos filhos e filhas dos diáconos em sua jornada vocacional.
No mês passado, recolhemos referências à descendência de diácono nos documentos normativos e formativos da Igreja Universal – “Regras Básicas da Formação de Diáconos Permanentes” e “Diretório para o Ministério e Vida de Diáconos Permanentes”.

Em vários diretórios e normas de formação de várias Conferências Episcopais e de igrejas locais, além de recolher tudo o que já assinalamos (como não pode ser de outra forma), dão mais um passo no papel dos filhos e filhas no caminho diaconal do pai. Gostaríamos de nos referir nestas linhas à contribuição que fazem em dois pontos do processo vocacional do pai. Mais novo o primeiro e já conhecido o segundo.

Em relação ao processo formativo final do diaconando, antes da ordenação, por exemplo, nas “Regras Básicas para a Formação de Diáconos Permanentes nas Dioceses Espanholas” (Madrid 2013), na regra 25, quando se refere ao processo de acesso à ordenação afirma: “Quando o aspirante ao diaconado for um homem casado, será necessário o consentimento de sua esposa e um tempo de cinco anos pelo menos de vida conjugal, que assegure a estabilidade da família. Também será conveniente que sejam consultados os filhos e filhas maiores”.

Se é conveniente que os filhos e filhas maiores sejam consultados antes da possível ordenação do pai, fala-se de uma responsabilidade significativa destes no processo vocacional do progenitor. Juntamente com as informações dos responsáveis formativos do candidato, da comunidade de origem ou daquela onde se desenvolve seu apostolado, no nível do consentimento da esposa para o acesso à ordenação do esposo, explicita-se a consulta aos filhos e filhas maiores.

Este ponto nos leva a perguntar-nos: que podem contribuir os filhos e filhas para que a consulta seja conveniente?

Além do lugar central da esposa na jornada vocacional do esposo, os filhos são uma parte fundamental deste processo. Elas e eles, se for o caso, foram testemunhas qualificadas, cada um, segundo sua idade, do nascimento da vocação ao diaconado do pai, a partir da experiência familiar que começou no sacramento do matrimónio que um dia seus pais celebraram. Testemunhas privilegiadas do processo formativo em que se envolveram como família.

Ninguém fica de fora nesta relevante consulta, atrevo dizer, ampliando a norma citada, que é indubitavelmente relevante se são filhas e filhos maiores com capacidade de argumentar e raciocinar, mas também se são filhas e filhos jovens que, de outra perspetiva podem trazer uma visão do momento familiar em que seu pai, junto com sua mãe, darão esse passo que marcará para sempre o destino da família.

Em relação ao momento inicial do exercício diaconal, após a ordenação , outro artigo que os regulamentos particulares destacam, em relação às propostas pelo Diretório Vaticano (nn. 41-42), seria este que nas normas espanholas afirma: “Em qualquer caso, o ministério diaconal está sempre ligado às necessidades do conjunto da Igreja particular, de modo que as responsabilidades pastorais do diácono podem ser paroquiais, arciprestes ou de zona e diocesanas, vigiando sempre para que – no diácono casado – não fique descuidada a atenção à família, que deve ser o primeiro lugar onde deve realizar a vocação do serviço próprio do ministério diaconal”. Ou seja, a igreja doméstica, a família, é o lugar primordial do exercício ministerial do diácono, e, portanto, o diálogo, o serviço, a dedicação e o amor incondicional aos filhos e filhas (com sua esposa) constitui um lugar insubstituível do ministério diaconal do diácono casado.

O reconhecimento da opinião dos filhos no passo em direção à ordenação diaconal do pai, e o lugar central do serviço do diácono à sua família, parecem duas contribuições que à primeira vista são lógicas, mas que, como dissemos no Editorial anterior, seria interessante avaliar até que ponto elas estão sendo uma realidade na vida do diaconado de nossas igrejas particulares. Nesse sentido, sentimos oportunidades e desafios, também fraquezas e falhas que, após esta experiência do diácono na igreja particular, podem estar também a ocorrer na igreja universal. Oferecer uma simples reflexão sobre isso será o objetivo do nosso último Editorial em relação ao papel dos filhos e filhas na vida diaconal do pai.

O Informativo trás a encíclica do Papa Francisco “Fatelli tutti” sobre fraternidade e amizade social.

Várias novidades são recolhidas sobre a recém-criada Conferência Eclesial da Amazónia (CEAMA), destaca a revisão da primeira Assembleia Plenária Virtual realizada entre os dias 26 e 27 de outubro, entre os temas a serem abordados estavam os do impulso ao diaconado permanente naquela região amazónica.

A Rede Ibero-Americana de Diáconos Permanentes organiza o Primeiro encontro virtual de diáconos das Américas. O encontro acontecerá no sábado, 5 de dezembro, de 1 a 5 da tarde, hora de Bogotá (Colômbia). As informações incluem o convite para participar do Frei José Gabriel Mesa, bem como os requisitos a serem cumpridos para participar da sessão formativa, cuja inscrição termina no 15 de novembro próximo.

A Comissão Nacional de Diáconos recebeu a mensagem de seu presidente “Consolidando metas”, e os eventos que realizarão em 2021 já foram conhecidos, tendo sido aprovados pelo Conselho Consultivo.

No México, convoca-se o XVIII Encontro de diáconos do país, que , nesta ocasião, por causa da situação de saúde, será virtual, durante os dias 4, 5 e 6 de novembro, entre as 20 e as 22 horas. No link anexado nas informações é possível escutar o convite para participar dessas reuniões de Dom Luís Felipe Gallardo Martín del Campo, responsável da Dimensão Episcopal do Diaconado Permanente.

Como fizeram no ano passado, a Pia Societá San Gaetano e o Familia Don Ditorno convocam uma Jornada formativa sob o título de “ O Diaconado: um ministério central para a igreja de hoje”. O encontro será seguido através da plataforma Zoom. Uma meia manhã ( 3 horas no máximo), com 4 intervenções de 25 minutos cada e um tempo para perguntas e/ou debate sobre o assunto com duração aproximada de 20 minutos. A informação descreve todos os detalhes para participar, a inscrição termina no dia 15 de novembro.

A Conferência Episcopal Espanhola indicou o mês de dezembro de 2021 para a oração mensal pelos diáconos e presbíteros.

Várias referências são feitas na secção publicações. A Folha da revista Vida Nueva do mês de outubro intitulado “Uma reflexão sobre o diaconado feminino” da teóloga Belén Brezmes -.
A licenciatura em Teologia defendida na Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Javeriana, Bogotá, do salesiano Vuong Tran Hong Trie, sob o título “O diaconado na Igreja, Uma realidade eclesial na paróquia San Wenceslao”, destaca a dimensão de experiência pessoal e pastoral – paroquial – da investigação. A reflexão dos autores Eduard LudWig e Pablo Blanco, publicada na revista Salmaticensis sob o título “O diaconado permanente no debate atual. Uma visão da teologia e da prática”. E, finalmente, também divulgamos uma reflexão interessante, há muito publicada, nos Cadernos Bíblicos da editora Divine Word “Diakonia. O serviço na Bíblia”.

Nossos colaboradores continuam contribuindo com reflexões interessantes, a destacar as dos diáconos Joaquim Armindo e Enzo Petrolino.

Na secção “Conhecendo uma Escola Diaconal”, é a vez da escola “San Esteban” da diocese de Neuquén, na Argentina. E na “Retalhos de história do Diaconado Ibero-Americano”, conhecemos a história do diácono na diocese de Little Rock, nos Estados Unidos da América.

A pandemia covid19 não dá tréguas no mundo, vemos como lugares onde o vírus tinha sido contido, floresce fortemente. Incerteza e esperança são experiências que vivem profundamente em nossas vidas. Ao começar este novo mês de novembro, queremos aproximar-nos dos testemunhos de nossos irmãos e irmãs, os santos e santas, os amigos e amigas do Senhor, para que o exemplo de suas vidas nos estimule a combater esta pandemia. De igual forma, neste mês de especial,
recordação por todas e todos os defuntos, temos presente aqueles que faleceram neste duro tempo em que vivemos, aos diáconos que deram sua vida ao serviço dos outros neste momento crucial, assim como aqueles que morrem em tantas pandemias esquecidas deste mundo que podemos e devemos evitar.

Em nome da Equipa Coordenadora e de Redação, um abraço fraterno.

Tradução do original: Diacono Mario Henrique Pinto

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