AMAR NÃO É CRIME

Um dia Saulo de Tarso apresentou-se em Jerusalém, vinha com olhos vendados, mas o Senhor os abriu. As amigas e os amigos de Jesus, em Jerusalém, conheciam bem Saulo de Tarso, aquele que testemunhou contra o diácono Estevão e se não o apedrejou, pelo menos mandou. E vinha falar com aqueles e aquelas que estiveram com Jesus, na sua morte e ressurreição, quem Ele era. O que mais faltava, meteram-no num barco e vai lá para a tua terra. Nela aos pagãos poderás falar como quiseres. Mas ele voltou a Jerusalém, para falar com os maiores daquela comunidade, acompanhado pelo seu amigo Barnabé e por um jovenzito chamado Tito. O Tito não era judeu, e todos precisavam de, para seguir Jesus, saber se era necessária a circuncisão ou não. Os líderes da comunidade de Jerusalém, Tiago (irmão de Jesus), Pedro e João, lá os esperavam. Aqueles que um dia tinham fugido e até mentido sobre Jesus, eram agora os líderes da comunidade. Iam decidir sobre o prepúcio, aquela pelezita que constitui uma dobra de duas camadas sobre o pénis e protege o meato urinário, deverá ser cortada ou não para se ser cristão, é que os judeus cortavam. Hoje a Organização Mundial de Saúde afirma que as funções do prepúcio é manter a glande húmida e aumentar o prazer sexual.

E lá estava em Jerusalém o primeiro concílio da Igreja (Atos dos Apóstolos, capítulo XV), para decidir se era ou não uma condição para ser cristão cortar o prepúcio. O jovem Tito ficou aliviado, não era necessário cortar o prepúcio. Como se alguma vez Jesus, morto e ressuscitado, se tivesse preocupado com tal. O velho tempo tinha passado e os novos Céus e a nova Terra aí estavam. Contudo a decisão não foi pacífica, existiam aqueles que sempre pugnaram pela lei que regulamenta tudo. E a lei era clara, cortar o prepúcio. Mas os discursos de Pedro e principalmente de Tiago – este era o líder da comunidade -, foram taxativos para ser cristão não era necessário cortar o prepúcio. Barnabé e Paulo podiam continuar a proclamar a mensagem de liberdade do Evangelho, e não a reduzir a uma questão sexual. Já naquele tempo as questões sexuais determinavam uma crescente discussão: é lícito ou não é lícito cortar o prepúcio. Se estivéssemos nos tempos de hoje diríamos que quem tem prepúcio iria para o inferno. Não entendíamos nada sobre a misericórdia e amor de Deus. Como ainda hoje não entendemos.

Hoje não discutimos sobre os “judeus e gentios”, sobre prepúcio ou não prepúcio. Vamos mais longe e discutimos sobre o amor. É lícito ou não é lícito uma mulher amar uma mulher, é lícito ou não é lícito um homem amar um homem. Não baralhamos as palavras, é lícito ou não tal, sobre a sexualidade e a afetividade. E vamos mais longe, agora um pouco em desuso, uma mulher pode casar ou não sendo portadora ou não da membrana que possui na vagina. Penso que esta questão já caiu, isto é, não colamos a “virgindade” a uma relação sexual, porque ela está muito acima disso, porque ela [a virgindade] está na doação plena a Jesus e não na sexualidade.

Se discutimos se uma lésbica ou um homossexual pode ou não ser cristão, é pura leviandade, cada um de nós é templo do Espírito Santo. Que mal tem um homem amar outro homem, de forma afetiva e sexual? Que mal tem uma mulher amar outra mulher, de forma afetiva e sexual? Para Jesus nenhum, para os homens com poderes religiosos é capaz de ter.
Também não tem importância nenhuma que uma mulher ou um homem, não tenham qualquer afetividade sexual, isso não define a cristã ou o cristão. Sou diácono, casado e pai de dois filhos, o que nunca me prejudicou ser servo do Senhor, antes pelo contrário.

Os diáconos sabem esta verdade, e sabem também discernir mais capazmente sobre a validade afetiva e sexual, no caminho da construção do Reino. Tanto é uma dádiva de Deus ser casado ou não. Tanto é uma dádiva de Deus, ser lésbica ou homossexual. Ou teremos que regressar ao concílio de Jerusalém e ouvir Tiago, Pedro, Barnabé ou Paulo, para melhor discernir o amor de Deus e a sua misericórdia? É necessário discutir sobre o inferno? Nele já vivemos, queremos é descobrir o Céu.

Joaquim Armindo
Diácono – Portugal

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