DIÁCONOS: A VAGA POR UMA IGREJA NA HUMANIDADE

DIÁCONOS: A VAGA POR UMA IGREJA NA HUMANIDADE

Estamos, com cuidado, a sair da pandemia de saúde COVID -19, que vitimou tantos. Existem, porém, outras pandemias bem determinadas nas Igrejas e na Humanidade, que vão continuar. A pandemia do clericalismo em que tantos cardeais, bispos, padres e diáconos sucessivamente caem está tão enraizada nos ventres que a sustentam que até parece digna, de louvar e obedecer, quase como um preceito que Deus deu a Moisés nas tabuas da lei. Não confundamos a árvore com a floresta, mas mesmo assim, vejo esta pandemia na árvore e na floresta. O poder de deter o sagrado como sua posse, poder distribuí-lo à mercê desta pandemia, só não é eficaz porque o Espírito do Senhor não deixa; esta é uma vacina dilacerante para todos os que queriam a eficácia do poder e do “mando”. Ainda se fosse uma “epidemia” bem poderíamos eliminar, porque seriam focos de resistência, bem determinados e calculados, mas não, os sintomas da doença são mais que isso, autênticas pandemias que ressuscitam em cada esquina e percorrem até as vielas, onde encontram os servos mais servis. Seria útil fazerem-se “testes epidemiológicos” que determinassem com mais exatidão como podemos sobreviver a esta “pandemia”, que, vejam bem, tem as suas raízes há milhares de anos e um pico na Santa Inquisição.

Profusamente e diretamente o bispo de Roma, papa Francisco, vem, muito cuidadosamente, porque para as “pandemias” tem de ser assim, alertando para o risco de sufoco da própria igreja – note-se que em certas igrejas minoritárias se passa o mesmo -, que desnorteia a humanidade e, mais, faz crescer aquilo que chamamos “populismo”, em voga com Bolsonaro e Trump e outros quejandos, na própria humanidade. Estes “populismos” fazem-me lembrar os fugitivos do Egipto, comandados por Moisés, quando este foi ao cimo do monte, insistindo que um “bezerro de ouro” seria melhor que o Libertador do Faraó, com Josué.

Francisco acabou por afirmar que os diáconos permanentes eram um baluarte da Igreja, e que eles com nas suas famílias, e na Humanidade, seriam não uns “sacerdotes de segunda”, mas os profetas que proclamam a Palavra de Deus, sem medos ou receios, nem sequer poderes baseados no dinheiro. Até disse que o mês de maio seria de oração pelos diáconos, me parece que poucos clérigos entenderam este apelo, percebendo que seria melhor ignorar este período de oração (ORA+AÇÃO). Mas, também, para os diáconos basta perceberem que o seu papel na Humanidade é de transformação, e, logo, propenso a que o clericalismo pretenda insistentemente drogar aquilo que é o discernimento diaconal, homens casados, trabalhadores e em oferta permanente ao Espírito do Senhor. Talvez daqui o nome de “diáconos permanentes”.
Os diáconos nesta oferta permanente ao Senhor da sua Vida só enfrentarão todas as montanhas, que lhes querem impor, se forem ao mesmo tempo servidores do Evangelho, o que não significa em nada “criadagem dos senhores clericalistas”. Esta vaga diaconal deverá tornar-se numa igreja a favor da Humanidade. E dizer a favor da Humanidade significa consolidar bases no seu testemunho de cristãos – infelizmente ainda não podemos dizer cristãs -, para uma Nova Humanidade, que tenha por base aquilo que só nos basta: Deus. Na misericórdia do Senhor ninguém vai para o “inferno”, mas nós, os diáconos, deveremos ter sempre, e sempre, em mente, que aquilo que queremos é dar pão aos que têm fome, vestir os nus, visitar os doentes e presos, dar de beber a quem tem sede e não fazer de “figurinos” ao lado ou atrás dos cadeirões daqueles que pensam que já foram eleitos por Deus.

Num momento duro para a Humanidade, requer-se uma renovada igreja, convertida ecologicamente, que não fuja das pessoas que são Filhos e Filhas de Deus, nosso Pai e Pai deles. É este o momento, por tudo o que temos passado, que mais que ilustres e brilhantes homiléticos, possamos estar a fomentar o Amor do Senhor, dando-nos aos que precisam. Seria dramático se nos desviássemos das “Amazónias” que existem, e que sabemos onde estão, em nossa casa, na Humanidade. Estas “Amazónias” que se chamam Amazónia, Portugal, Espanha, Brasil, Estados Unidos e todos os países onde estamos, hão de conhecer o Evangelho de Jesus, porque somos uma vaga indestrutível, somos do Povo de Deus e somos Povo de Deus, e Deus não nos deixará nunca.
Esta grande vaga que se chama diaconado permanente é, e continuará a ser, o desafio de uma Igreja pobre ao serviço dos pobres, havemos de nos sentar nos cadeirões que são a terra, onde o povo de Deus se senta, esta Terra Mãe, que clama por nós, o seu grito que é o grito dos pobres. As outras coisas deixemos para quem as quiser. Vamos sem colarinhos, mas com a cruz ao peito e bem junto ao coração, vamos com, e não ao lado, dos sem-poderes, porque, nós diáconos, abjuramos os poderes sejam eles o que forem. Que sempre digamos: “Pai Nosso – eis-nos aqui”.

Joaquim Armindo

Diácono – Porto – Portugal
Doutor em Ecologia e Saúde Ambiental

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