A vida da Igreja em tempos de COVID-19

Diácono Edison da Silva Palagi – Paróquia São Benedito – Salto (SP)

Diocese de Jundiaí (SP)

Pelos motivos que largamente conhecemos estamos vivendo um momento muito atípico. Como cristãos participantes da vida da Igreja, necessariamente atentos e solícitos à vida em comunidade, essa situação causa-nos grande desconforto. Convívio, abraços, celebrações e orações em comunidade, ainda não. De qualquer forma, lançando o olhar para o testemunho de muitos dos nossos durante essa nossa longa peregrinação, pode-se dizer que para a Igreja isso que vivemos não é novidade. Dois mil anos de história é muito tempo. Vivemos guerras, epidemias, pestes que geraram muito sofrimento, mas nos enche de esperança verificar que diante de grandes crises humanitárias, muitos cristãos estavam lá, afeiçoados às coisas do alto e não às coisas da terra, cuidando das feridas e amparando os pobres, afinal de contas a nossa vida está escondida com Cristo em Deus (Cl 3, 2-3).

Nesse nosso momento e falando como diácono, fico aqui, confinado e perguntando a mim mesmo: o que fazer? É nessa hora que os testemunhos de grandes homens e mulheres da Igreja nos confortam.

Nesse sentido, a vida do Cardeal vietnamita Francisco Nguyen Van Thuan vem ao nosso encontro em tempos de isolamento social. Encarcerado em 1975 pelo sistema político do Vietnã, tornou-se, confinado por 13 anos, num dos maiores testemunhos cristãos dos nossos tempos. Nesse período ele não permaneceu de “braços cruzados” esperando a libertação; ao contrário, com a criatividade que o amor de Deus faz crescer em nós, fez-se amigo dos carcereiros, catequisou presos e segundo ele, nunca poderá exprimir a sua grande alegria de todos os dias, com um pedaço minúsculo de pão, três gotas de vinho e uma gota de água na palma da mão, celebrar a Missa. Fabricavam, segundo ele afirma, saquinhos com papel para conservar o Santíssimo Sacramento. Jesus Eucarístico estava sempre com ele no bolso da camisa… Muitos se converteram no cárcere. Sacerdotes foram ordenados por ele na prisão. Sempre afirmou que a força do amor de Jesus é irresistível. Testemunha que a obscuridade do cárcere se iluminava e a semente germinava da terra durante a tempestade. Afirmava serem essas as mais belas Missas de sua vida e à noite adorava, rezava e cantava. Em setembro de 2002, ele, como cidadão do céu (Fl 3,20), partiu desse mundo.

Que ele interceda por nós junto a Jesus Cristo, nosso Senhor e nos faça definitivamente entender que as coisas desse mundo jamais poderão nos encarcerar. Temos muito a fazer sem dúvida. Se não nos é possível o convívio como de costume, é tempo de reinventar-se. As tecnologias estão aí para isso, mas acima de tudo é tempo de rezar mais por tudo e por todos incansavelmente em nossas casas, além de ver nesse tempo um momento privilegiado para amar melhor e prestar mais atenção às pessoas que convivem conosco em nossos lares nesses tempos difíceis.

Fonte: cnd.org.br

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