O Diaconato Permanente na Amazônia

Por Diácono: Afonso de Oliveira Brito, presidente da CRD Norte 1

A Igreja se reorganiza na Amazônia uma dessas grandes expressão foi a reunião dos dois Regionais da Amazônia em SANTARÉM (1972), dela surge sua expressão máxima “uma igreja com o rosto amazônico” nesta assembleia também os Bispos da Amazônia ouviram do Papa Paulo VI, pela primeira vez a expressão” Cristo aponta para a Amazônia” definiram duas diretrizes: a encarnação na realidade e a evangelização libertadora. Escolheram 4 prioridades: formação dos agentes de pastoral (inclusive os futuros padres), estradas e frentes pioneiras, Pastoral Indígena e Comunidades Cristã de Base. Em 1974 em novo encontro em Manaus os Bispos juntaram as 4 prioridades a Juventude, sem dúvida Santarém deu um novo impulso a uma caminhada de libertação já em andamento, e favoreceu o crescimento de uma Igreja mais local e ministerial.

Em 1974 surgiu o Projeto “Igrejas-Irmãs”, visando criar laços de solidariedade entre as dioceses do Brasil e as igrejas da Amazônia. Em 1997 da Assembleia em Manaus, surgiu o documento A IGREJA SE FAZ CARNE E ARMA SUA TENDA NA AMAZÔNIA como confirmação de uma linha evangelizadora-pastoral, de uma mística amazônica diante de um quadro que não mudou muito em 25 anos. Vale lembrar que não encontramos a expressão Diáconos ainda, somente no encontro de Santarém em 2012 é que os Bispos vão falar de Diáconos nos compromissos assumidos por eles: Priorizar e investir em formação permanente (compromisso constante), diversificada (padres, diáconos, leigas/os levando em conta as diferentes atuações do laicato dentro da Igreja e na sociedade), descentralizada e encarnada (a partir da realidade) numa atitude transformadora e libertadora para uma Igreja toda ela missionária e ministerial.

Dom Sergio Eduardo Castriani, afirma na Assembleia do Regional Norte I, de diácono realizado nos dias 5, 6 e 7 de Julho de 2019, na Maromba “não podemos pensar a Amazônia sem o Diaconato Permanente”. O Ministério do Diácono Permanente é hoje, uma realidade em nosso Regional, o número de diáconos e candidatos vem crescendo em toda a Amazônia, a Diocese de Roraima, conta com 03 Diáconos, a Arquidiocese de Manaus tem um quadro na capital Manaus, de 47 Diáconos atuantes, 37 candidatos na escola diaconal Instituto de Teologia Pastoral e Ensino Superior (ITEPES), alguns atuam no interior perímetro da Arquidiocese de Manaus Iranduba 2 Diáconos, distrito de Cacau Pereira 2 Diáconos, Presidente Figueiredo 1 Diácono. Na Diocese de Parintins 6 Diáconos e 2 na escola diaconal. A Diocese de Tefé 8 diáconos. A Diocese do Alto Solimões, São Paulo de Olivença está com 11 candidatos em formação, Diocese de Borba 17 candidatos em formação. Diocese de Itacoatiara 1 Diácono, Dom Ionilton, já realizou o primeiro encontro de sondagem de possíveis candidatos. Isso nos alegra muito é mais uma diocese iniciando a implantação do Diaconato Permanente.

O concilio Vaticano II, abriu a possibilidade da Restauração do Diaconato Permanente, no Amazonas teve seu início em 1996, a primeira ordenação aconteceu quase 8 anos depois, em 16 de março de 2003, anos mais tarde criamos a Comissão Arquidiocesana de Diáconos, o grupo havia crescido necessitava de organização e animação. Nossa marca é a participação das esposas em todos os processos de formação. Por 13 anos estivemos sem a Comissão Regional de Diáconos, essa instancia era representada pelo Diácono eleito tesoureiro da Comissão Nacional dos Diáconos.

Durante esses anos tivemos um representante do Regional, mas não nos reuníamos como Regional ou Inter Regional, espaços muito importantes para tratarmos das formações, da motivação, dos pontos comuns, das experiências e fortalecimento do diaconio no Regional, nosso maior desafio é superar as distancias colossais entre dioceses para levar a informação e formação. Nesse sentido a equipe eleita em abril de 2016 quer priorizar a formação, o acompanhamento dos diáconos no regional.

Tendo em vista o que preconiza as normas fundamentais para a formação dos diáconos permanentes (Doc. 25 CNBB), a formação permanente dos diáconos é uma exigência humana na sequência da continuidade com a chamada sobrenatural a servir ministerialmente a Igreja e com a formação inicial para o ministério, ao ponto de se considerar os dois momentos como pertencentes ao único e orgânico percurso de vida cristã e diaconal. Com efeito, “para o que recebe o diaconato há uma obrigação de formação permanente, que aperfeiçoa e atualiza cada vez mais a exigência de antes da ordenação”.

Ela deve ser considerada, portanto, seja por parte da Igreja que a administra, seja por parte dos diáconos que a recebem, como um direito-dever mútuo, fundado na verdade do compromisso vocacional assumido. Formar-se sempre mais para servir sempre melhor e, mais é uma parte importante do serviço que lhe é pedido nas comunidades que atuam.
O acompanhamento dos diáconos e candidatos nas dioceses e Prelazias do Regional, tem como pressuposto motivar para a busca incessante de integração e comunhão na diocese, no Regional e no nacional, fazer parte da Rede é tarefa fundamental da equipe, entendemos que os diáconos das Dioceses e Prelazias têm muito a contribuir e propor para a missão e o serviço do diaconio na região amazônica.

O Serviço do Diácono:

Segundo os bispos latino-americanos em Puebla, o carisma do diácono, sinal sacramental de “Cristo Servo”, tem grande eficácia para a realização de uma igreja servidora e pobre, que exerce sua função missionária com vistas à libertação integral do homem. O diácono exerce antes de tudo uma missão profética com as seguintes características:
Pela graça recebida na ordenação, o diácono é chamado a renovar na Igreja e para a Igreja o convite de Jesus a Segui-lo na pobreza e, como ele, a sentar-se à mesa com os pecadores, os pobres, os sem dignidade e os sem esperança;

O diácono é chamado, ainda dentro dessa perspectiva, a um discernimento evangélico da injustiça e da violência no mundo, fazendo crescer na Igreja uma consciência profética que saiba pôr a força do Evangelho diante dos poderosos da história e dos sistemas opressivos, que marginalizam as pessoas na busca a que estas fazem de mais vida e mais dignidade;

O diácono tem como tarefa, dentro das situações concretas de conflito, anunciar a Palavra do Evangelho, com toda a simplicidade, mansidão e coragem.

A mesma visão que coloca o ministério do diácono como sinal sacramental de Cristo Servo e da Igreja servidora transforma-o também em servo da comunhão:

Servo da comunhão que vem do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Esta comunhão é anunciada pela Palavra a todos os homens, tornada visível na comunhão com os pobres e celebrada no partir do pão;

Justamente porque ministro da Palavra anunciada e partilhada na eucaristia, o diácono é também servo de comunhão em meio aos pobres, os primeiros destinatários da Boa-Nova.

Outra consequência do fato de o diácono ser sinal sacramental do ministério de Cristo servo e da Igreja servidora será o testemunho do serviço como dom e entrega de si mesmo, a ponto de dar a própria vida, se necessário for:
O testemunho do diácono se exprime mediante a escolha de meios pobres, refutando a lógica do poder, até mesmo do poder religioso;

O compromisso com a vida, a paz, o trabalho, a marginalização aparece hoje como questão decisiva.

O diácono, homem do espírito, porque servo de Cristo servo, na oração assídua e perseverante, saberá discernir o caminho correto que o Senhor pede dele e da sua Igreja, com base nas alegrias e sofrimentos dos homens e mulheres do mundo de hoje.

Manaus-Am 26 de agosto de 2019
Por Diácono: Afonso de Oliveira Brito.

Fonte: cnd.org.br

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