Enviado por: Diácono  Mario Henrique Pinto

Concluiu-se a 7 de março de 2017, no Centro de Cultura Católica, o ciclo Diaconado: Ministério e Missão, programado por ocasião da celebração dos 25 anos do diaconado permanente na diocese do Porto. Coube ao P. Manuel Monteiro Mendes, pároco de Matosinhos, abordar o tema Diaconado e diaconia da palavra.

Partiu do rito explicativo da entrega do evangeliário na ordenação diaconal, acompanhado das palavras: «Recebe o Evangelho de Cristo do qual te tornaste anunciador (Recebe o Evangelho de Cristo, que tens a missão de proclamar). Crê o que lês. Ensina o que crês. Vive o que ensinas», para concluir que nelas se encontra toda a espiritualidade do diácono. Juntou-lhe duas referências de autores contemporâneos, Bernanos e Paolo Scquizzato, para referir que no ministério da palavra «é preciso ter relevância, é preciso ir mais além das banais frases feitas». Socorreu-se ainda do Diretório do ministério e da vida dos diáconos permanentes, para lembrar que «o diácono “é mestre, enquanto proclama e esclarece a palavra de Deus”» e que «a função principal do diácono e, pois, colaborar com o bispo e os presbíteros no exercício do ministério não da própria sabedoria, mas da Palavra de Deus», devendo para tal «preparar-se, antes de mais, com o estudo cuidadoso da Sagrada Escritura, da Tradição, da liturgia e da vida da Igreja», assim como do mundo.

Referiu depois que a diaconia da palavra não pode ficar reduzida «à proclamação do Evangelho nas eucaristias e às homilias nos funerais, casamentos e batizados», se bem que também aqui conviria proferir palavras reveladoras e decisivas, preparadas com cuidado. É necessário, contudo, ir mais além e prestar também «atenção à catequese dos fiéis nas diversas etapas da existência cristã», nomeadamente tendo em conta a secularização da sociedade e os «desafios que a vida moderna coloca ao homem e ao evangelho».

Referindo-se à importância da Palavra, de cuja escuta nasce a fé, questionou o contributo da presença dos diáconos para a tomada de consciência da centralidade da palavra nas comunidades. A seu ver, os diáconos encontram-se subaproveitados, quer porque se «empenham pouco na sua formação e no entendimento da sua missão mais vasta», quer porque os párocos não são «capazes de ver mais largo, de pedir mais, de confiar mais». É, pois, necessário descobrir e abrir os caminhos que levem o diácono permanente a servir no campo da evangelização, designadamente na catequese renovada, na evangelização das famílias e no fortalecimento da comunhão na comunidade paroquial, no ecumenismo e na dimensão pública da Igreja.

No contexto da celebração dos 25 anos do diaconado permanente na Igreja do Porto, o P. Manuel Mendes deixou três desafios: compreender a verdadeira importância do diaconado na Igreja; apostar muito mais na formação dos diáconos; valorizar a missão, presença e participação dos diáconos nas comunidades, confiando-lhes a coordenação – sempre em comunhão com o pároco – de algum sector da pastoral paroquial.

A concluir, voltou às palavras que acompanham a entrega do evangeliário, comentando-as com Santo Agostinho: «Não pode ser um fiel anunciador da Palavra de Deus aquele que não é um dócil ouvinte». Nas palavras do P. Manuel Mendes, «é preciso ser, sempre e em primeiro lugar, um discípulo, um “ruminador da Palavra” – incluo aqui também o estudo e a formação permanente – para depois se poder ser apóstolo, dar a vida pela Palavra, dar vida à Palavra anunciada».

Após um prolongado diálogo entre os presentes e conferencista, a sessão concluiu-se com uma breve intervenção do P. Joaquim Santos, delegado diocesano para o diaconado permanente, em que aludiu sumariamente à comemoração dos 25 anos do diaconado permanente na Igreja do Porto, a realizar em abril.