O bispo de Coimbra ordenou 17 novos diáconos permanentes para a diocese e destaca a importância deste ministério, não só para a Igreja Católica local mas para todas as comunidades católicas do país.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, D. Virgílio Antunes, que até este ano assumia a presidência da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, considera que o diaconado permanente “está a ser uma riqueza” para a Igreja em Portugal, “porque completa o leque de formas, meios, carismas, de ministérios que ela propõe para este tempo”.

Um tempo marcado em muitas paróquias, unidades pastorais ou arciprestados do país por uma grande escassez de sacerdotes ou por um clero envelhecido.

“As nossas comunidades estão ávidas, estão sedentas de pastores”, realça D. Virgílio Antunes, que no caso dos 17 diáconos permanentes agora ordenados acredita que eles vão ser “pedras importantes” para a “promoção da ação da Igreja no território”.

Em primeiro lugar, junto das comunidades atualmente sem pároco, pois há “na diocese um mundo muito vasto de lugares onde não é possível celebrar-se a eucaristia, mesmo em muitas igrejas paroquiais”, salienta o bispo.

Depois em áreas como a evangelização e a catequese de adultos, numa região onde “uma grande camada da população deixou de ser crente, de estar ligada à Igreja, de ser praticante”.

Todo o trabalho a desenvolver será feito “sempre em ligação com um ou vários sacerdotes”, com especial enfoque também no serviço litúrgico, “na presidência dos batismos, dos matrimónios, das exéquias cristãs onde não é possível estar um presbítero”, e ainda na “ação social, caritativa, de apoio aos pobres”.

A figura do diácono permanente, o primeiro grau da ordem do ministério ordenado, surgiu nos primórdios do cristianismo como uma vocação de serviço à comunidade e viu o seu papel ser reforçado com o Concílio Vaticano II.

A esta missão podem aceder homens casados (depois de terem completado 35 anos de idade), o que não acontece com o sacerdócio.

O bispo de Coimbra realça a importância de reforçar junto da comunidade cristã que “todos têm um lugar, em que todos são corresponsáveis na Igreja Católica, cada um à sua maneira e de acordo com a sua vocação”.

“Sem os leigos, sem o povo de Deus a trabalhar ativamente, algumas comunidades já não tinham possibilidade de estar vivas. Esse caminho felizmente tem-se vindo a fazer e este dia é o culminar desse caminho realizado”, aponta D. Virgílio Antunes.

André Alves e Albano Rosário foram dois dos candidatos que concluíram os cinco anos do curso de diácono permanente e que este domingo foram ordenados na Sé Nova, em Coimbra.

André Alves, é originário de uma família de Trás-os-Montes, de Bragança, que emigrou para São Paulo, no Brasil.

Vive atualmente no Pombal, é casado, pai de quatro filhos e advogado.

“De facto, Deus converteu-me lá (no Brasil, onde nasceu) e chamou-me aqui ao ministério, para servir o povo de Deus aqui em Portugal, que já é a minha terra há 12 anos a minha terra de eleição e o meu país do coração”, adiantou.

Já Albano Rosário, da Paróquia de S. João Batista, chegou ao diaconado permanente depois de “uma história comprida” que envolveu uma vocação interrompida.

“Sou um ex. seminarista dos salesianos, depois abandonei a determinada altura, mas este bichinho de servir ficou-me cá e chegou a altura em que o Senhor me voltou a chamar”, explicou o novo diácono permanente, pai de três filhos.

Depois da ordenação de 17 diáconos permanentes, a Diocese de Coimbra vai apostar na abertura de um novo curso nesta área, no próximo ano.

JCP

Tomado de: http://www.agencia.ecclesia.pt