Enviado por: Diácono  Mario Henrique Pinto

 Centro de Cultura Catolica do Porto. Quarta-Feria, 4 de janeiro de 2017
A 26 de abril de 1992 foram ordenados por D. Júlio Tavares Rebimbas os primeiros 18 diáconos permanentes da diocese do Porto. A 25 anos de distância, o Diaconado Permanente da diocese e o Centro de Cultura Católica organizaram um ciclo de três conferências alusivo ao tema Diaconado: Ministério e missão. Nos 25 anos do diaconado permanente na Igreja do Porto, programado a partir da «participação diaconal do único e tríplice múnus de Cristo no ministério ordenado» (Diretório do Ministério e da Vida dos Diáconos Permanentes, nn. 22-42).
A primeira conferência, subordinada ao tema Diaconado e diaconia da caridade, teve lugar no auditório do Centro de Cultura Católica, na terça-feira 3 de janeiro de 2017. Foi orador o Cón. José Maria Gonçalves Fabião, reitor da Igreja da Trindade e assistente do Secretariado Diocesano da Pastoral Social e Caritativa e da Caritas Diocesana. Iniciou a sua conferência com alguns contributos para a definição de ação pastoral a partir de documentos do II Concílio do Vaticano e do magistério pontifício recente. O modo de ver a Igreja nestes documentos obriga a um ajustamento da ação pastoral, ou seja uma «pastoral em conversão». Particularmente considerada foi a expressão da Evangelii gaudium «uma Igreja pobre para os pobres» ou a referência da Lumen gentium a uma Igreja que segue o caminho de Cristo que redime o homem na pobreza e na perseguição, abraçando «com amor os afligidos na fragilidade humana». Entendida assim a Igreja, a ação pastoral precisa de lhe ser coerente, no fundo uma atualização da práxis de Jesus.
Versou seguidamente a conferência sobre a caridade, referindo que o amor a Deus se efetiva no amor aos irmãos. Recolhendo alguns dos seus fundamentos bíblicos, foi dito que a caridade é o vínculo da perfeição, a plenitude da lei, algo que nunca passará, gerando uma eternidade feliz. Assim considerada, a caridade é um dever da Igreja e o serviço da caridade está ligado à natureza diaconal da Igreja. O orador tratou também de colocar em relação caridade, liturgia e proclamação da palavra. Pertencendo a caridade tanto à essência da Igreja como a celebração dos sacramentos ou o anúncio da palavra, a Igreja não pode negligenciar o serviço da caridade, na linha do que refere Bento XVI na Deus caritas est. Exemplificou com uma referência a São Justino, que une eucaristia e atividade caritativa, ao notar que os bens recebidos durante o culto são encaminhados para a caridade. Afirmou também José Maria Fabião que a caridade não é uma espécie de assistência social que se pode deixar para outros; pertence antes à própria essência da Igreja. Esta mais do que distribuir coisas ou bens há de prestar atenção às pessoas.
A caridade foi ainda apresentada como condição de credibilidade da Igreja face ao mundo. O mundo acredita pelo que os cristãos vivem e fazem e a credibilidade da Igreja joga-se essencialmente em três aspetos: o modo como os cristãos se relacionam entre si dentro da Igreja; a transparência dos cristãos na sua vida e no modo como usam e gastam os bens: a opção pelas grandes causas, sendo que a caridade é a grande causa da Igreja.
A conferência convergiu então para a relação entre a missão do diácono e a caridade. Para tal foi evocado o que expõe a Lumen gentium sobre os diáconos, designadamente a expressão que reporta serem eles «consagrados aos ofícios da caridade e da administração». No parecer do conferencista, a principal ação pastoral dos diáconos é o serviço da caridade em favor dos pobres. Concluiu a sua exposição desafiando à conversão à caridade. As comunidades não devem viver pastoralmente voltadas para si próprias. A caridade, porquanto não tem palco, previne esse risco.
À conferência seguiu-se um tempo de diálogo entre os presentes e o conferencista e umas palavras de encerramento do P. Joaquim Santos, delegado diocesano para o diaconado permanente. O ciclo continuará no dia 7 de fevereiro, às 21 h., com a conferência Diaconado e diaconia da liturgia, confiada ao Cón. João da Silva Peixoto, pároco de Ermesinde e diretor do Secretariado Diocesano da Liturgia.