Diác. Gonzalo Eguía

Coordenador de Servir en las periferias

                                                                                                                                             Bilbao, Espanha, 1 de novembro de 2017

Diáconos, ministros que por vocação têm a missão de ajudar aos pobres

No mês que hoje entramos terá início a primeira Jornada Mundial dos Pobres. Baixo o lema de “Não amemos de palavra, senão com obras” o Papa Francisco convoca-nos no próximo domingo 19 de novembro para esta Jornada. Ao concluir o Ano Jubilar extraordinário da Misericórdia, o Papa publicou a Carta Apostólica “ Misericordia et misera”; onde instituía que o XXXIII Domingo do Tempo Comum fosse a Jornada mundial dos pobres. O Pontífice desejava que ao fechar as portas da Misericórdia, se abrisse a porta cotidiana do compromisso com os mais empobrecidos de nosso mundo: “Será uma Jornada que ajudará às comunidades e a cada batizado a refletir como a pobreza está no coração do Evangelho e sobre o acontecimento que, enquanto Lázaro for ignorado na porta de nossa casa (cf. Lc 16,19-21), não poderá haver justiça nem paz social. Esta Jornada constituirá também uma genuína forma de evangelização
(cf.Mt 11,5), para que se renove o rosto da Igreja em sua ação permanente de conversão pastoral, para ser testemunha de misericórdia.”

Entendemos que quando um Papa instaura uma Jornada Mundial, pretende destacar um âmbito pastoral, que a Igreja deve seguir trabalhando e amadurecendo para ser fiel à sua missão de mediador da Boa Nova do Senhor neste mundo. Pobreza e Ecologia são duas referências onde o Papa tem insistido constantemente em seu Pontificado. Reiteradamente recorda-nos que “os pobres são o coração do Evangelho”, a Igreja deve transformar-se e viver o seguimento de Jesus Cristo a partir deste princípio. O mundo é por sua vez a casa comum, obra amorosa do Pai para o progresso de suas filhas e filhos numa vida harmoniosa com a natureza. Fruto de sua Encíclica “Laudato si”, o Papa convocava-nos no ano 2015 para a ” Jornada Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação”. Já nessa altura vinculava Pobreza e Ecologia, relacionando o cuidado do mundo e a dignidade das pessoas: “Dessa maneira se cuida o mundo e a qualidade de vida dos mais pobres, com um sentido solidário que é ao mesmo tempo consciência de habitar uma casa comum que Deus nos ofereceu” (Laudato si nº232). Não é ao acaso que as duas Jornadas instauradas pelo Papa Francisco tenham uma referência ecuménica relevante, começando com a Jornada pela Criação; a Igreja Católica juntou-se, incluso na data (1 de setembro) à Jornada que a Igreja Ortodoxa vem celebrando desde 1989.

A Jornada que vamos celebrar tem duas características significativas, sua incardinação na vida da Igreja, e o reconhecimento do trabalho transformador como um elemento evangelizador de primeira ordem. O Papa recorda-nos a sua pretensão de que com esta Jornada se “estabeleça uma tradição”; quer dizer, que a opção preferencial pelos pobres ocupe a centralidade que lhe corresponde dentro da missão assinalada pelo Senhor a seus discípulos. Além disso destaca-se a relevância do compromisso pela caridade e a justiça como “contribuição concreta à evangelização no mundo contemporâneo”.

Quando o Papa convoca a todo o Povo de Deus para a Jornada, recorda o caso específico dos diáconos “ que têm por vocação a missão de ajudar aos pobres”. Esta matização mostra-se como uma nova oportunidade para que os diáconos renovem a chamada vocacional ao serviço dos menores deste mundo, e também para continuar fazendo possível, por meio de nosso ministério que os pobres ocupem a centralidade que lhes corresponde na Igreja, como ocupam no coração de Deus.

Neste mês passado tivemos conhecimento da convocatória, por parte do Papa Francisco, do Sínodo para a Amazónia; que se levará a cabo em outubro do ano 2019.
Sem dúvida alguma, este Encontro terá enorme repercussão na vida da Igreja Ibero-americana e Universal. Recolhemos um breve extrato da entrevista realizada a Mauricio López, Secretário Executivo da REPAM.

Em relação com o diaconado nos diferentes países ibero americanos, o informativo destaca a síntese do XX Encontro Nacional de Diáconos com suas esposas de Cuba, a programação do XXXII Encontro Nacional do Diaconado Permanente de Espanha, e a segunda parte do informativo “Retrato do diaconado permanente nos Estados Unidos (2014-15).

As efemérides diaconais estão representadas na celebração dos cinquenta anos do diaconado permanente em várias dioceses de Chile, os trinta anos da presença na arquidiocese de México, e a de vigésimo quinto aniversário da diocese espanhola de Asidonia-Jerez.

Na seção de “Relatos de história do diaconado Ibero americano” expõe-se uma breve história da restauração do diaconado em Acapulco, México.

Nesta edição publica-se os comentários favoráveis de dois bispos sobre a possibilidade do diaconado feminino, o primeiro do bispo emérito de Xingú em Brasil, o segundo o do recém nomeado bispo de Innsbruck.

No apartado de publicações faz-se referência ao livro “Diáconas” (Serena Noceti-Ed-, Sal Terrae), o link de acesso da publicação do diácono Eduard Ludwig “El diaconado, fundamento e identidade, Un estúdio teológico-pastoral”, e a entrevista ao diácono Javier Villaba autor do livro anunciado no mês passado “El diaconado permanente, Signos de una Iglesia servidora”.

No âmbito da família diaconal, destaca a notícia do IV Encontro com filhos de diáconos, realizado na arquidiocese de Palmas em Brasil.

Neste dia de Todos os Santos temos presentes as mulheres e homens, conhecidos ou não, que viveram intimamente e com coerência evangélica o seguimento do Senhor Jesus. Unimo-nos na oração a elas e eles para fazer brotar e frutificar em cada uma e cada um de nós o dom da Santidade.

Em nome da equipe de Coordenação e Redação, um abraço fraternal.